Meninas Malvadas e o limite da zona de conforto

Um anúncio importante: Eu assisti Meninas Malvadas.

Tudo começou com o Felipe. Vocês conhecem o Felipe, certo? Se não conhecem, abram o Não Sei Lidar em outra aba e conheçam assim que terminarem aqui. O Felipe já assistiu Meninas Malvadas 23 vezes (todas dubladas, 2 vezes com comentários do diretor). Ou, pelo menos, era essa a conta no dia 21 de janeiro de 2014, que foi a primeira vez registrada no gmail que ele manifestou o seu desejo exagerado para que eu assistisse a esse filme.

Sou aquele tipo de pessoa que, quanto mais alguém quer que eu faça algo, menos eu vou querer fazer. É claro que há coisas que não dá para evitar, mas há outras que, simplesmente, não sou obrigada. Assistir Meninas Malvadas se encaixa na segunda categoria. Eu decido o que quero fazer e detesto quando querem tomar decisões por mim. "Ah, então, eu tenho que assistir seu filme favorito? Okay. Continue tentando."

Acho que o Felipe desistiu de tentar.

Até que aconteceu o plot twist. Eu tinha um problema, cuja resolução definitiva não dependia exclusivamente de mim. Fiz tudo o que podia, não deu. Havia duas opções: A primeira colocaria em risco algo que eu me esforcei por muito tempo para conseguir; a segunda, envolvia sair completamente da minha zona de conforto. Algo que seria pequeno para muitas pessoas, mas que me pareceu muito assustador.

Escolhi a segunda opção. Senti-me muito bem, melhor do que esperava. Eu amo tomar decisões, me sinto tão viva! Mas eu sei que nem sempre decidir é suficiente, por isso, precisava fazer algo para simbolizar, para mostrar a mim mesma que eu seria capaz de seguir em frente com a minha escolha. Faço isso o tempo todo, é uma coisa minha que, normalmente, ninguém fica sabendo. Liguei o computador e, em vez de abrir um dos meus episódios favoritos de séries que já vi - o que faço sempre que tenho um dia ruim, pois por que mudar se posso assistir The One With The Birth, The tBig Bran Hypothesis ou The Face of Change pela centésima vez e ter a garantia de terminar com um sorriso idiota no rosto. - procurei pelo filme adolescente de capa rosa ao qual sempre resisti.

Eu assisti Meninas Malvadas... e gostei. Terminei com um sorriso no rosto e uma lágrima no canto do olho. Era exatamente o que eu precisava naquele momento e não apenas pelo simbolismo, mas por repetir verdades que eu estou cansada de conhecer e pregar. No final das contas, somos todos Cady Heron, querendo se encaixar, tentando fazer a coisa certa e fazendo um monte de besteiras no processo. Somos todos Regina George, criando regras sem sentido para maquiar os problemas e mentindo para nós mesmos. Somos todos seguidores de Regina George, aceitando ficar em posições inferiores, às quais nos acostumamos e que temos medo de desafiar. Orbitamos nossa zona de conforto, sem enxergar que, sim, o limite dela existe e pode ser cruzado.

É cafona e é incômodo, mas me fez bem.

Mean Girls and the limit of the comfort zone

An important announcement: I watched Mean Girls

Everything started with Felipe. You know Felipe, right? If you don't, open Não Sei Lidar on another tab and meet him as soon as you finish here. (Or don't, unfortunately he doesn't have an English section yet.) Well, Felipe has watched Mean Girls 23 times (twice of them being the director cut). Or, at least, this was the count on January 21 last year, the first time registered on Gmail that he bugged me about this movie.

I am that person that the more someone wants me to do something, the less I'll want to. Of course, there are things I can't avoid, but there are other that I'm not obligated. Watching Mean Girls is on the second category. I decide what I want to do and I hate when someone wants to make decisions for me. "So I have to watch your favorite movie? Okay. Keep trying."

I think Felipe gave up on trying.

Then it happened: the plot twist. It was on Friday, 18. I had a problem, whose definitive solution didn't depend exclusively on me. I did everything that I could, but it didn't work. I had two options: The first one would risk something I worked hard to get; the second, would require me to go completely out of my comfort zone.

I chose the second alternative. I felt really well. I love making decisions, they make me feel well. But I know sometimes deciding isn't enough, so I had to do something symbolic to show myself I could move forward with my decision. I do that all the time, it's a thing of mine that usually nobody knows about. I went to my computer and, instead of watching one of my favorite episodes of TV shows I've already watched - which I always do when I have a bad day, because why would I change if can watch The One With The Birth, The Big Bran Hypothesis or The Face of Change for the millionth time? I want the guarantee that I'll end up with a silly smile on my face. - I looked for the pink teen movie I've always resisted to.

I watched Mean Girls and I liked it. I ended up with a smile on my face and a tear on the corner of my eye. It was exactly what I needed in that moment, and not only for the symbol, but for repeating what I've always known and preached. At the end of the day, we're all Cady Heron, wishing to belong, trying to do the right thing and making a lot of mistakes in the process. We're all Regina George, creating nonsense rules to hide the problems and lying to ourselves. We're all Regina George's followers, accepting to stay in inferior positions we're used to. We orbit our comfort zone, not seeing that, yes, it's limit exists and can be crossed.

It's cheesy and it's uncomfortable, but it did me well.


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