Chasing Life


Na sexta-feira, dia 2 de outubro, recebi uma surpresa nada boa pelo Twitter da atriz Italia Ricci: Após 34 episódios exibidos em 2 temporadas, uma das séries que eu mais gostava tinha sido cancelada pela ABC Family, que decidiu mudar o foco de sua programação para o próximo ano. Apesar da segunda temporada ter demorado um pouco para pegar o ritmo e ter acabado cedo demais, eu não imaginava que isso fosse acontecer agora, pois a série ainda tinha muitas histórias para contar.


Pode parecer estranho escrever um post sobre uma série que terminou incompleta e precocemente, mas eu fiquei boa parte da semana que passou tentando escrever sobre outras duas séries que assisti este ano e viraram favoritas, e sem conseguir desenvolver. Por outro lado, com Chasing Life eu sabia, eu precisava dizer que, mesmo que eu fique sem saber a conclusão das várias storylines que ficaram em aberto, valeu a pena cada um daqueles episódios (mesmo os que eu não gostei tanto assim). Aí eu percebi que essa é exatamente a mensagem da série.
April e Leo conversam, sentados em frente a janela do quarto dela.

No piloto, April Carver (interpretada maravilhosamente pela até então desconhecida Italia Ricci), uma jornalista cuja vida está voltando ao lugar após a morte de seu pai, descobre que tem leucemia. Eu, particularmente, costumo não gostar muito das protagonistas, e a April consegue ser insuportável em alguns episódios, mas consegui me identificar bastante com ela no início, com o peso que ela carrega de querer ser forte diante das pessoas que ama, de querer manter o controle de tudo e não permitir que sua vida mude. Imagino que eu reagiria da mesma forma. As coisas começam a mudar quando ela conhece alguém que parece ser o seu exato oposto e, ao descobrir algo em comum, ambos aprendem a correr os riscos a que antes não queriam se expor, e April descobre o que ela realmente quer viver.

Uma das coisas que eu mais gosto na série é que, talvez pelo fato de ter poucos personagens fixos, todos são muito bem desenvolvidos e suas histórias são importantes, cada uma a seu tempo. De todos, só não gosto da mãe de April, Sara Carver (Mary Page Keller), mas até ela conseguiu melhorar muito nos episódios finais. Minha favorita desde o primeiro episódio é Brenna (a linda Haley Ramm), caçula da família Carver, que teve o crescimento mais visível, com plots delicados que conseguiram elevá-la a queridinha dos fãs (já disse que ela é minha favorita desde o primeiro episódio, quando todo o resto do mundo a odiava? Okay, porque eu tenho esse dom de identificar os melhores personagens antes da maioria, então, acho que as pessoas deveriam prestar mais atenção aos meus favoritos.)
No hospital, April, Beth e Brenna tiram uma selfie no tablet de April.

Outro ponto positivo é que o desenvolvimento das histórias não segue a linha do muito dramático ou de fazer apenas o que vai agradar os fãs. Há um balanço entre drama, comédia, mistério e romance, nos momentos adequados, permitindo que sejam tratados temas como doença, morte, infidelidade, mentira, sexualidade, amizade, família, carreira, todas essas coisas que, gostando ou não, fazem parte da vida. No final das contas, Chasing Life é uma série sobre como lidar da melhor forma possível com todas as cartas que recebemos, como tomar as decisões certas diante daquilo que não é nossa escolha.

Esse é um tema que tem mexido muito comigo ultimamente: deixar para trás o que não importa, me preocupar menos, aceitar que eu não posso controlar tudo e que nem tudo vai ter o final perfeito que a minha mente idealizou. Talvez seja por isso que eu me apaixonei pela série e é por isso que a recomendo e continuarei recomendando.


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