5 lições sobre vulnerabilidade


Sabe aquela amiga que você tem que vive se apaixonando? Que faz amigos facilmente em todos os lugares aonde vai? Que mantém esses amigos por anos? Que ainda se encontra com os colegas do Ensino Médio, da faculdade? Aquela pessoa que se entrega completamente em seus relacionamentos, que não se envergonha dos seus defeitos, que não esconde seus sentimentos?

Essa pessoa não sou eu.

Eu sou a pessoa que se passa por tímida no início, mas a verdade é que eu demoro muito para gostar de alguém. Eu sou a pessoa que fala o que pensa, mas nunca o que sente. Eu sou a pessoa que constrói muros e não deixa ninguém entrar. Aquela que afasta os outros para não correr o risco de me machucar. Aquela que ODEIA ficar vulnerável.
Não gosto de usar gifs e não suporto nem ouvir falar de Meredith Grey no momento, mas esta cena me define.
"É claro que ele vai te afastar, porque ele odeia ficar vulnerável. Mas é nessa hora que ele mais precisa de você ao lado dele."
Eu me protejo. Acontece que me proteger demais tem suas consequências. Sempre tenho muitas pessoas ao meu redor, mas poucas ficam. E não é que eu não goste delas, ou elas não gostem de mim, ou não sejam importantes para mim em determinado momento. É só que eu não domino a arte de manter relacionamentos.

Há algum tempo, a vida jogou essa bomba em cima de mim, mas também me deu uma chance de fazer diferente. Um e-mail despretensioso do Felipe me acordou para essa possibilidade e eu pensei, por que não tentar? Eu estava no meio de pessoas que não me conheciam e, portanto, não poderiam estranhar qualquer comportamento meu - porque só há uma coisa pior do que ficar vulnerável: quando alguém aponta a sua vulnerabilidade. Essas pessoas não podiam me machucar. Não era um passo muito ousado, eu ainda teria alguma segurança, mas já é alguma coisa, certo? E eu também não ia inventar uma personalidade totalmente nova, apenas ser mais eu, algo que eu realmente precisava fazer, se quisesse que as coisas funcionassem. Eu estava entrando em um trabalho novo, pela primeira vez em dez anos e pela primeira vez como uma profissional estabilizada; não havia muito espaço para erros.

Um ano e meio depois, muita coisa aconteceu. O tema vulnerabilidade está mais presente do que nunca na minha vida, nos meus pensamentos, nas minhas conversas. Depois de assistir à TED Talk excelente da Brené Brown, que compartilho abaixo, eu achei que deveria falar a respeito. Assim, aqui estão as cinco lições que aprendi sobre a vulnerabilidade.



1. É um processo

Não foi de um dia para o outro que perdi o medo de me machucar. Esse medo ainda existe, ainda me paralisa muitas vezes. Em alguns casos, tive que adotar a filosofia do "finja até que atinja" e meses se passaram até que algumas coisas se tornassem naturais. E não falo de nada muito grande, eram coisas como sentar ao lado de alguém na hora do café ou sair para almoçar em grupo. Um passo de cada vez.

2. É bom

Essa é a parte mágica. Uma vez que eu deixei as pessoas ultrapassarem o primeiro muro - porque, obviamente, são vários - eu percebi que gostava daquilo. Talvez tenha sido sorte, mas essa experiência me aproximou de pessoas ótimas. Muito provavelmente, essas pessoas não fazem a menor ideia que o que para elas não parecia nada extraordinário, poderia ser novidade para mim. Um passo enorme foi deixar que sejam legais comigo e perceber que fazem isso simplesmente porque gostam de mim - assim como eu também faço. Essa experiência acabou mudando um pouco a minha forma de me relacionar em outros círculos, o que é mais difícil, mas que também está tendo alguns resultados interessantes.

3. Faz bem para a autoestima

Esse item acaba sendo uma consequência do anterior. Ao criar um relacionamento mais verdadeiro com pessoas que passam o dia inteiro ao meu lado, eu passei a me sentir melhor comigo mesma, com a pessoa que eu sou, com as minhas capacidades e até com a minha aparência (está aí o Instagram pra comprovar). Eu sempre tive muita dificuldade com elogios, tanto para fazer, quanto para receber. Essa é outra coisa que estou aprendendo e que fica bem mais fácil quando você está aberto a acreditar em quem está do outro lado.



4. É assustador

Quando eu paro pra pensar, tem muita coisa que me assusta. Quanto mais gente eu deixo entrar, mais gente eu corro o risco de perder e mais gente vai ter o poder de me machucar. Às vezes, vale a pena correr o risco; outras, não.

5. É um processo

Sim, eu já disse isso, mas preciso repetir. É assim no início e é assim o tempo todo, um passo de cada vez. Várias vezes, eu quis voltar para o meu esconderijo, levantar os muros novamente e deixar que apenas os mais corajosos decidissem derrubá-los (ou os mais malucos, nunca vou entender a cabeça dos meus amigos para se esforçarem tanto). Também houve momentos em que eu percebi que estava me fechando e tive que me esforçar para abrir de novo. Cheguei a passar um dia inteiro - uma quinta-feira, porque quintas-feiras me odeiam - evitando qualquer contato humano, inclusive com meus amigos mais próximos. É uma briga constante entre as minhas reações naturais e as reações que decido ter.

Esse post é parte do processo e foi escrito várias vezes antes da versão final. E decidi postar assim que terminei, porque se fosse deixar agendado para segunda, como normalmente faço, tenho certeza que acabaria desistindo. Tenho certeza que vou me arrepender várias vezes de ter postado, vou querer deletar sempre que me lembrar, vou morrer de vergonha, mas eu precisava provar a mim mesma que conseguiria. A cada vez que eu decidir não deletar o post, saberei que a próxima será um pouco mais fácil. Talvez, um dia, eu me acostume e tudo isso seja natural.  Até lá, é seguir um passo de cada vez, um relacionamento de cada vez, uma decisão de cada vez. Até agora, está valendo a pena.

[Update] O Felipe fez um post sobre esse assunto, inclusive, contando uma situação que aconteceu com agente. Leiam: Viver com todo o meu coração

5 lessons about vulnerability


Do you know that friend you have, the one that's always falling in love? That makes friends easily wherever she goes? That keeps those friends for years? That's still in touch with her High School and college colleagues? The person that gives everything in their relationships, that's not ashamed of their flaws, that doesn't hide their feelings?

This person isn't me.

I am the person that goes by shy in the beginning, but the truth is that it takes me some time to like someone. I am the one who says what she thinks, but never what she feels. I am the person who builds walls and doesn't let anybody cross them. The one who pushes people so they won't hurt me. The one who hates being vulnerable.
I don't like to use gifs and I can't even hear about Meredith Grey right now, but this scene defines me.
I protect my feelings. The thing is: Too much protection has its consequences. I'm always surrounded by people, but few stay. And it's not that I dislike them, or they dislike me, or they're not important to me at that moment. It's just that I don't master the art of relationships.

A while ago, life threw this bomb in my lap, but it also gave me a chance of making things differently. An unpretentious e-mail from Felipe woke up to the possibility and I thought, why shouldn't I try? I was among people that didn't know me beforehand, so they couldn't notice any different behavior of mine - because there's only one thing worse than being vulnerable: when someone notices you're vulnerable. Those people couldn't hurt me. It wasn't a very bold step, I still had some certainty, but it was a step, right? And I wasn't going to create a whole new personality, only be myself, something I really needed to do if I wanted things to work. I was starting on a new job for the first time in ten years and for the first time as a established professional; I had no space for mistakes.

Eighteen months later, a lot happened. Vulnerability has been a theme more present than ever in my life, in my thoughts, in my conversations. After watching the terrific Brené Brown TED Talk, that I share below, I thought I should write about it. So, here are the five lessons I learned about vulnerability.



1. It's a process

It wasn't overnight that I lost the fear of getting hurt. This fear still exists and still paralises me often. Sometimes, I had to go by the "fake it 'till you make it" philosophy and months went by until some things became natural. And I'm not talk about huge things, but sitting by someone during a work break or having lunch together. One step at a time.

2. It's good

This is the magical part. Once I let people cross the first wall - because, of course, there are many of them - I realized I liked that. Maybe it was luck, but this experience made me bond with some great people. They probably have no ideia that things that were ordinary for them could be news for me. A great step was to let these people be nice to me and find out that they do that simply because they like me - as well as I do for them. In the end, this experience changed a little my other relationships, which is harder, but it's also having some interesting outcomes.

3. It's good for self-esteem

This item is a consequence of the previous. When I forged a true relationship with the people who spend the whole day with me, I started to feel better about myself, with the person I am, with my skills and even with my appearance (and there's Instagram to prove). I've always had a hard time both making and receiving compliments. This is another thing that I'm learning and it's easier when I'm willing to believe in the other person.



4. It's scary

When I think about it, there are many things that scare me. The more people I let in, the more people I risk to loose and the more people will have the power of hurting me. Sometimes, it's worth the risk; sometimes it's not.

5. It's a process

Yes, I've already said that, but I need to say it again. It's a process in the beginning and it will always be a process, one step at a time. Many times, I wanted to go back to my hidden place, build the walls again and let only the bravest ones to knock them down (or the crazy ones, I'll never understand my friend's minds to make so much effort). There were also moments when I noticed I was closing down and I had to make an effort to open myself again. There was even a day - a Thursday, because Thursdays hate me - when I avoided every human interaction, including with my closest friends. It's a permanent fight between my natural reactions and reactions I decide to have.

This article is part of my process and it was written several times before the final version. I decided to publish as soon as I finished it, because if had scheduled it, like I usually do, I'm sure I'd end up giving up. I'm sure I'll regret many times of having published, I'll want to delete it every time I think about it, I'll be embarrassed, but I had to prove to myself that I could do it. Every time I decide not to delete the post, I'll know the next time will be easier. Maybe, one day, I'll get used and all of this will be natural. Until then, it's one step at a time, one person at a time, one decision at a time. So long, it's worthy.

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