You're the worst


Eu sempre fui uma grande apreciadora de ficção. Desde as novelas infantis do SBT, os filmes da Sessão da Tarde (quando eu ainda tinha paciência para filmes), as novelas adultas da Globo e Record, os muitos livros e, finalmente, as séries de TV, as ficções sempre tiveram uma importância real na minha vida. Nunca foi apenas entretenimento, mas uma forma de enxergar as mais diversas situações pelos olhos de diversos personagens, me colocar no lugar deles. Por isso, eu sempre me apeguei muito a personagens. Em especial, sempre fui atraída para um tipo especial de personagem: As pessoas horríveis.


Dentre as minhas mais antigas lembranças, está a minha mãe horrorizada enquanto eu assistia Carrossel e amava o Paulo Guerra. Mais de vinte anos depois, nada mudou. Quanto mais problemático um personagem, maiores as chances de eu gostar dele. Os problemáticos são aqueles com quem eu consigo me identificar e que me fazem torcer por eles. Não quero saber da vida de quem sabe tudo, pode tudo, consegue tudo, eu quero saber é de quem se ferra e faz um monte de grandes M pelo caminho.

Por que eu estou contando tudo isso? Porque preciso prepará-los para o que direi logo em seguida. Este post foi um dos primeiros que comecei a rascunhar quando criei o blog, mas demorei para evoluir, porque eu digitava uma frase e, na minha cabeça, ela deveria ser o suficiente.

You're the worst é uma série sobre pessoas horríveis. Foi só isso que precisei saber antes de ter certeza que deveria assistir.

Categorizada como comédia, You're the worst é centrada no problemático casal Gretchen (Aya Cash) e Jimmy (Chris Geere), e seus melhores amigos, Lindsay (Kether Donohue) e Edgar (Desmin Borges). Mas não se enganem. Eu esperava uma típica comédia de grupo de amigos (um dos meus estilos favoritos), mas encontrei muito mais do que isso. Não é uma história engraçada sobre pessoas horríveis sendo pessoas horríveis, é uma história muito bem desenvolvida sobre pessoas sendo nada mais do que humanas.

Sim, tem humor, mas um humor bem peculiar, um humor negro, sarcástico, às vezes escatológico. Um humor que raramente me leva às gargalhadas, mas, sim, aos sorrisos empáticos. E também tem drama, tem aquele aperto no coração, aquela vontade de abraçar todos eles (especialmente a Gretchen). Tem lágrimas. Eu choro muito fácil, especialmente quando me apego a algum personagem. Nunca imaginei que uma comédia fosse me fazer chorar com tanta frequência, mas os episódios são tão realistas e tão bem escritos que é impossível não me envolver.

Ao contrário da maioria das comédias, os episódios são fortemente conectados e as storylines possuem início, meio e fim. A primeira temporada, com apenas 10 episódios, serve para conhecermos os quatro personagens principais e foca na evolução do relacionamento de Jimmy e Gretchen. Os primeiros episódios são cheios de cenas de sexo, que depois vão diminuindo (mas continuam presentes), à medida em que eles passam a se conectar de uma forma mais emocional.

A segunda temporada, que terá o décimo segundo episódio exibido nesta quarta-feira, começou devagar, mas jogou uma bomba e tomou um rumo totalmente diferente quando nós menos esperávamos. Apesar de Lindsay e Edgar servirem bem como alívio cômico e de um episódio hilário de Halloween, o clima está pesado. Estão tratando de um assunto sério e fazendo muito melhor do que o esperado (especialmente para uma comédia, eles insistem que é comédia!). Aya Cash, em especial, está cada vez mais incrível em sua atuação. Quanto mais a temporada se aproxima de sua conclusão, mas ela se supera, mais ela parte o meu coração. Em paralelo, temos Lindsay aprendendo (ou não) a ser uma adulta responsável e Edgar - o bondoso, mas, ainda assim, problemático Edgar - tentando levar uma vida normal a despeito dos traumas que trouxe de sua passagem pela guerra.
Maybe we're like two pit bulls. You put either with another dog, and that dog is toast. But together, they're couch buds. (Gretchen - You're the worst 1x10)
You're the worst é uma série sobre seres humanos. Seres humanos que já fizeram muita besteira, mas que também já foram muito machucados e se escondem atrás do sexo, da bebida, das drogas, de uma fachada de egoísmo e insensibilidade para não se machucarem ainda mais. Seres humanos que valeu muito a pena ter conhecido.

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