Precisamos falar sobre autoestima


Este não é um post sobre beleza física, sobre amar o seu corpo, sobre não se importar com os padrões de beleza. Já repararam como sempre associamos autoestima a aparência? Eu também fazia isso, até descobrir que não é apenas a beleza que vem de dentro, mas também o amor próprio.

Eu nunca tive um problema óbvio de autoestima. Sempre tive minhas inseguranças, como qualquer ser humano normal, mas nada alarmante. A verdade é que não ter consciência de um problema é parte do problema.

Durante toda a minha vida, eu fui A Garota Inteligente. Não vou entrar em detalhes aqui, porque isso tornaria esse texto muito mais pessoal do que estou disposta a permitir, mas eu fui levada a acreditar que essa era a única coisa boa em mim, que não havia nenhuma outra qualidade aproveitável na minha personalidade esquentada e, por isso, ninguém nunca poderia gostar de mim de verdade. Eu poderia ser útil, poderia ter amigos enquanto eles precisassem de mim, mas ninguém permaneceria por muito tempo depois que me conhecesse.

Eu sou uma pessoa horrível.

Foi só aos vinte e três anos que essa "verdade" começou a ser desconstruída na minha cabeça, um longo processo que começou quando conheci a Teoria dos 4 Temperamentos de Hipócrites, através dos livros de Tim Lahaye, e que ainda não terminou. Não sei se algum dia vai terminar.

Esse post é meio que uma continuação do "5 lições sobre vulnerabilidade" e é muito provável que ainda tenha uma terceira parte ou que eu venha a tocar novamente no assunto em algum momento futuro. São coisas que eu aprendi, que me fizeram bem e das quais eu gostaria que cada pessoa no mundo tivesse consciência.

Enxergue os seus defeitos...

...mas também as suas qualidades

Ninguém é 100% bom ou mau. Eu acredito que pessoas são como vitrines, nós escolhemos o que queremos mostrar ao mundo. Sempre achei muito mais fácil mostrar os meus defeitos que as minhas qualidades e ainda tenho dificuldades para gostar de pessoas que parecem boas demais - tenho uma teoria matemática que envolve até um gráfico de distribuição normal para explicar isso. É daí que vem o meu amor por personagens que são pessoas horríveis, eu sempre me identifiquei muito com esse tipo de personagem. Muitas vezes, eu enxergava neles qualidades que eu também tinha/tenho, mas que não conseguia enxergar em mim e, por isso, continuava acreditando que deveria mostrar os meus defeitos para espantar as pessoas antes de me apegar a elas.

"Nem todo mundo é como você. Nem todo mundo é bom." Grey's Anatomy 9x23
Esse gif tem uma história engraçada... Quando tive a ideia para este post, eu não sabia qual seria o título, o formato ou o que exatamente iria dizer, mas sabia que precisava dessa cena, ainda que não vá fazer tanto sentido para quem não acompanhou a série. Já comentei várias vezes sobre como as ficções são importantes para mim e essa cena foi uma daquelas epifanias, um daqueles momentos que vão ficar marcados. É o motivo deste ser meu casal favorito de todos os tempos, o motivo para hoje eu odiar uma série que já amei, é o motivo por hoje eu conseguir enxergar que as pessoas gostam de mim pelo que eu sou, como eu sou e não porque posso ser útil para elas em algum momento.

Agora, a história engraçada. Ontem, enquanto escrevia o post, perguntei a uma pessoa no Twitter se ela sabia onde eu poderia encontrar esse gif, pois eu sou péssima com coisas gráficas e não estava encontrando nenhum que me agradasse. Na mesma hora, ela disse que faria para mim e minha reação natural foi recusar. Pensei em mil motivos, em mil coisas nas quais ela poderia gastar o seu tempo em vez de fazer um gif pra mim. Coincidentemente, isso ocorreu mais ou menos na mesma hora em que eu respondi a um comentário da Fernanda me oferecendo para fazer algo no blog dela e pude ouvir a voz dos meus colegas de trabalho reclamando que eu sempre faço tudo pra todo mundo, mas nunca me deixo ser ajudada.

Como vocês podem ver, depois dessa, eu acabei aceitando. (Obrigada de novo, Burcu.)

Não se culpe por tudo...

...e não se faça de vítima

Eu tenho um complexo de culpa gigantesco. É como um imã, aquela força me puxando o tempo inteiro. Quanto mais eu me afasto, mais fraca a força fica, mas, para eu começar a me distanciar dela, foram necessárias várias forcinhas me empurrando. É muito difícil para mim não me sentir responsável pelas coisas porque eu realmente odeio ser vítima. Eu não sei ser aquela que só reclama, que quer achar os defeitos nos outros, porque a única coisa que posso mudar são as minhas atitudes.

Não posso mudar as outras pessoas, não posso mudar como me sinto, só posso mudar como eu reajo a isso. Posso escolher reconhecer quando estou errada, mas sem ficar me martirizando por isso e sem me desculpar pela minha personalidade, pelas minhas preferências, por escolhas que só dizem respeito a mim.

Permita-se sentir

...e tenha empatia


A questão da culpa sempre me faz pensar que meus sentimentos são menos importantes. Como no caso do gif e como eu me sinto muito boba por dar importância a coisas tão pequenas. Uma coisa que eu aprendi foi a não deixar ninguém invalidar o que eu sinto - e [tentar] não invalidar os sentimentos de ninguém, mesmo que eu não os compreenda.

Empatia está em falta no mundo inteiro. A internet é o lugar perfeito para observar isso. Quem pensa diferente é um monstro. Babaca. Escroto. Palhaço. Nós precisamos aprender a diferença entre o que a pessoa faz e o que a pessoa é. Sim, uma coisa demonstra a outra, mas, como eu disse antes, ninguém é 100% bom ou mau. E todo mundo tem um motivo para ser como é.

Afaste-se do que te faz mal...

...mantenha o que te faz bem


Uma das melhores coisas de ter amigos pela internet é que ninguém é obrigado a nada. Ninguém é obrigado a me seguir no Twitter, a ler o blog, a curtir minhas fotos no Instagram. Meus amigos não são obrigados a trocar e-mails comigo todos os dias. E foi por causa disso que eu comecei a questionar aquilo em que passei tanto tempo acreditando. Ainda doía muito ouvir que essas pessoas só eram minhas amigas porque não conviviam de verdade comigo, mas foi por causa dessas pessoas que eu passei a deixar as outras entrarem e acabei conhecendo um monte de gente linda, que não apenas consegue conviver comigo o dia inteiro sem me odiar, mas até sente minha falta de verdade quando passa muito tempo sem me ver. Gente que realmente quer saber quando pergunta se está tudo bem, que não vai achar que eu estou incomodando quando peço um favor, gente que gosta de me ter por perto, gente que até guarda chocolate pra mim. Gente que gosta de mim por causa das minhas qualidades e não apesar dos meus defeitos.

Nem sempre dá para se afastar de quem te faz mal. Muitas vezes, quem faz isso não faz de propósito, não percebe que está fazendo ou não faz o tempo inteiro. Então, o jeito é ir tentando filtrar as críticas e silenciar as coisas ruins com as boas.

"Quando você percebe as manias de alguém, é difícil ignorar. Mas, se você os ama o bastante, essas manias somem." How I met your mother 3x08 - Revelações

A autoestima vem de dentro

Este não é um post sobre beleza física, sobre amar o seu corpo, sobre não se importar com os padrões de beleza. Porque, se a verdadeira beleza é a interior, antes de amar a minha imagem no espelho, eu precisava amar o ser humano dentro de mim. O que eu vejo no espelho não é apenas a luz que se reflete e volta aos meus olhos, mas como eu me sinto, o quão digna eu me julgo.

Dizem muito por aí que, se você não se ama, ninguém vai te amar. Eu já penso um pouco diferente. De fato, existe uma relação entre as duas coisas, mas não tão direta. Se eu não me amar, eu não vou me considerar digna do amor dos outros, eu não vou acreditar nas pessoas, eu vou afastá-las. Aí, sim, não vai sobrar muita gente pra me amar.

Perceber tudo isso mudou muito a minha vida e eu espero, de coração, que esse post gigante possa fazer uma diferença, ainda que pequena, na sua também.

"O coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate."
Provérbios 15:13

This isn't an article about physical beauty, about loving your body, about not to care about beauty standards. Have you noticed that we always associate self-esteem to our looks? I used to do that too, until I realized that it's not only beauty that comes from inside, but also self love.

I've never had an obvious self-esteem problem. I've had my insecurities, like any normal human being, but nothing alarming. The truth is that not being aware of a problem is part of the problem.

My whole life I was The Smart Girl. I'm not gonna write details here, because it would make this a lot more personal that I want to, but I was led to believe that this was the only good thing about me, that I had no other good qualities in my hot headed personality and, because of that, nobody never would really like me. I could be useful, I could have friends whilst they needed me, but no one would stay for long after they got to know me.

I am a horrible person.

It was only at twenty-three that this "truth" started to be deconstructed in my mind, a long process that started when I found the Hippocrates 4 Temperaments Theory, on Tim Lahaye's books, and that haven't finished yet. I don't know if it will ever finish.

This article is kind of a follow-up to "5 lessons about vulnerability" (also avaliable in Portuguese and English versions) and it's very probable that I'll write a third installment or that I come to talk about it again someday. These are things that I've learned and they were good to me, so I wish everyone could learn too.

Know your flaws...

...but also your good qualities

Nobody is 100% good or bad. I believe people are like showcases, we choose what we want to show the world. I always thought it's easier to show my flaws than my qualities and it's still difficult to me to like people that seem to be too good - I actually have a mathematical theory involving a normal distribution graph to explain that. That's why I love fictional characters that are horrible people, I can always relate to them. I could often see in them the qualities that I also had/have, but I couldn't see in myself, so I kept believing that I should only show my flaws, to push people away before I got attached to them.

Grey's Anatomy 9x23
This gif has a funny story. When I first thought about this article, I didn't know what would be it's title, which format I was going to use or even what I was going to say, but I knew I needed that scene, even though it may not make much sense to people that don't watch this show. I've mentioned many times how fiction is important to me and this scene was one of my big epiphanies, one of those moments that I'll always remember. It's the reason why this is my favorite couple ever, the reason why today I kinda hate a TV show I once loved and, most important, it's the reason why I see that people can like me for who I am and not because I can be useful to them sometime.

Now, the funny story. Yesterday, when I was writing, I asked someone on Twitter if she knew where I could find this gif, because I'm terrible at graphics and I couldn't find a good one. She quickly offered to make it for me and my natural reaction was that I couldn't accept. I thought about a thousand better things she could spend her time instead of making a gif for me. Coincidentally, that was almost at the same time I replied to a commentary from Fernanda offering to do something on her blog and I could hear the voice of my coworkers complaining that I'm always doing things for other, but I never allow myself to be helped.

As you all can see, after that, I ended up accepting her offer. (Thanks again, Burcu.)

Don't blame yourself for everything...

...and don't play the victim

I have a gigantic guilty complex. It's like an magnet, that power pulling me all the time. The more I get away from it, the weaker it gets, but, for me to start getting away, I needed many small powers to push me. It's really hard for me not to feel responsible for everything, because I hate being a victim. I don't know how to be that person who only complains, who wants to find everyone else's faults, because the only thing I can change are my own actions.

I can't change other people, I can't change how I feel, I can only change how I react to everything. I can choose to recognize when I'm wrong, but without beating me up for that and without apologizing for my personality, for my preferences, for the choices that only concern to me.

Allow yourself to feel

...and have empathy


The guilty thing always made me think that my feelings aren't important. Like in the gif story I told and how I feel silly for caring about things that are so little. One things I learned was not to let anyone invalidate how I feel - and [try] not to do the same with other people, even when I don't understand them.

The world lacks empathy. The internet is the perfect place to see that. Whoever has a different opinion is a monster. A jerk. Asshole. Bitch. We need to learn the difference between who someone is and what someone does. Yes, one thing demonstrates the other, but, as I said before, nobody is 100% good or evil. And everyone has a reason to be who they are.


Get away from what's bad...

...and keep what's good for you


One of the best things about having internet friends is that nobody has to do anything. Nobody has to read my blog, follow me on Twitter or like my Instagram pictures. My friends don't have to send me e-mails everyday. And that's why I started to question all the things I believed for so long. It would still hurt to hear that those people only were my friends because they didn't have to actually be with me, but it was because of them that I started to let other people in and I ended up meeting a lot beautiful people, that not only can be with me all day without hate me, but also truly miss me when they don't see me for a while. People that really want to know when they ask if I'm good, that won't think I'm annoying when I ask for a favor, people that like to have me around, people that even save chocolates for me. People that like me because of my qualities and not despite my flaws.

It's not always possible to get rid of everyone who is bad for you. Often, whoever do that don't do on purpose, don't notice what they're doing or don't do all the time. So, the only thing we can do is filter the critics and silence the bad things with the good ones.

"When someone's bad habits are pointed out to you, it's hard to ignore them. But if you love them enough, those bad habits are easy to forget." How I met your mother 3x08 - Spoiler Alert

Self-esteem comes from inside

This isn't an article about physical beauty, about loving your body, about not to care about beauty standards. Because if the true beauty is inner beauty, before I could love my image in the mirror, I needed to love the human being inside of me. What I see in the mirror isn't just the light reflected, but how I feel, how worthy I believe I am.

They say that if you don't love yourself, nobody will. I think it's a little different. There is, indeed, a correlaction between the two things, but it's not direct. If I don't love myself, I won't believe I'm worthy of other people's love, I won't believe people, I will push them. Then, there won't be many people one left to love me.

Realize all of that changed my life a lot and I hope, from the bottom of my heart, that this gigantic article can make a difference, even if''s little, in yours too.

"A happy heart makes the face cheerful, but heartache crushes the spirit."
Proverbs 15:13

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