Confissões de uma belo-horizontina viajante


Faltam 3 semanas para as minhas próximas férias. O mês pré-férias é sempre mais turbulento que o normal e a única coisa que consegue me fazer relaxar nesses momentos é pensar em viagens.

Uma viagem não consiste apenas de entrar em um avião e passar alguns dias em outro lugar. A experiência da viagem começa muito antes dela acontecer, com o planejamento, a compra das passagens, e pode ser estendida indefinidamente, enquanto durarem as fotografias e as lembranças (e a boa memória é uma benção nessa hora).

Nessa fase de pensar no meu próximo destino, lembrei-me de algo que escrevi há mais de dois anos.

Era manhã do dia de 27 de janeiro de 2014, e eu estava no aeroporto de Foz do Iguaçu aguardando meu vôo e irritada com o Felipe - que acordou atrasado e ficou apressando o taxista, sendo que eu já havia marcado tudo com antecedência suficiente para não precisar me preocupar com esses imprevistos às quatro da madrugada. Fiquei com fome e fui à lanchonete. Quando voltei, magicamente, o sono havia ido embora e havia na minha cabeça um post praticamente completo e que, feliz ou infelizmente, teve que esperar esse tempo todo para ser publicado.

Confissões de uma belo-horizontina viajante

Nenhum pão de queijo é igual ao de Minas

Eu procuro pão de queijo em todos os lugares. É como uma zona de conforto culinária. Porém, há dois problemas. Primeiro, encontrar o pão de queijo. Por aqui, é certo que você vai encontrar pão de queijo em qualquer lanchonete. É quase como água. Aparentemente, não é assim no resto do país. (Na primeira vez que fui ao Rio de Janeiro sozinha, parei em uma empadaria no metrô de Botafogo, pedi por um pão de queijo e moça me olhou como se eu tivesse enlouquecido.) O segundo problema é quando encontro, mas o pão de queijo nem de longe é tão bom quanto aqueles a que estou acostumada, o que sempre acontece. Já comi um em Foz que parecia chiclete e um em São Paulo que não tinha gosto de queijo.

O que poderia ser melhor que comer pão de queijo no Pão de Açúcar? Comer pão de queijo mineiro no Pão de Açúcar.

A água daqui também é melhor

Mais do que as pessoas, mais do que a minha cama, mais do que o meu banheiro, o que eu mais sinto falta quando viajo é da água de Minas, principalmente se for água do filtro de barro. Outras águas não matam completamente a minha sede. Eu já paguei mais caro uma vez para tomar água de fonte mineira.

Drogarias comuns são frustrantes

Para quem não sabe, aqui na RMBH existe a Drogaria Araujo, que vende de tudo. Ela nunca é minha primeira opção, porque as coisas costumam ser mais caras, mas é bom saber que ela está ali quando eu precisar de qualquer coisa. O problema é só quando eu chego em outras cidades e entro em drogarias comuns, que não vendem coisas como fones de ouvido ou sanduíches.

Eu sinto falta dos morros

Eu odeio subir morros, mas sinto falta deles, principalmente quando estou passeando de carro ou de ônibus em uma cidade diferente. Aqui, a gente olha pela janela e vê quilômetros, qual é a graça de só poder enxergar o outro lado da rua?

O bairro inteiro visto da minha varanda.

Não tentem forçar o "uai"

Sim, é verdade que nós falamos "uai" o tempo todo, mas você não precisa fazer isso só porque descobriu que eu sou mineira. Sério, não precisa. Nem precisa chamar tudo de trem.

A mágica dos ônibus que voltam pelo mesmo caminho

Descobri isso na minha primeira ida ao Rio de Janeiro, a mesma da empadaria. Há lugares em que os ônibus voltam exatamente pelo mesmo caminho de onde vieram. Não é fascinante? Se você vive em um lugar assim, não tente pegar ônibus sozinho em Belo Horizonte. Jamais assuma que é só atravessar a rua para pegar o ônibus no sentido contrário.

Eu gasto mais tempo para chegar até Confins que de lá a vários lugares do Brasil

Essa é a parte mais frustrante. O principal aeroporto de BH não fica em BH, mas a 40 quilômetros do centro da cidade. Da minha casa, são 52 quilômetros. De carro e sem pegar nada de trânsito, o tempo que eu gasto até lá é o mesmo que leva um vôo até o RJ. Com trânsito ruim, não duvidaria se alguém chegasse mais rápido ao Acre!


Estas foram as minhas confissões e me diverti bastante ajustando-as após tanto tempo guardadas no meu Evernote. Agora, me conte, o que você mais estranha quando viaja?

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