A lista (Cecelia Ahern)

Kitty Logan tem 32 anos e aos poucos está perdendo tudo o que conquistou: sua carreira está arruinada; seu namorado a deixou sem um motivo aparente; seu melhor amigo está decepcionado com ela; e o principal: sua confidente e mentora está gravemente doente. Antes de morrer, Constance deixa um mistério nas mãos de Kitty que pode ser a chave para sua mudança de vida: uma relação de nomes de pessoas desconhecidas. É com base neles que Kitty deverá escrever a melhor matéria de sua carreira. Quando começa a ouvir o que aquelas pessoas têm a dizer, Kitty aos poucos descobre as conexões entre suas histórias de vida e compreende por que foi escolhida para dar voz a elas.
Quem me conhece sabe que minha relação com a Cecelia Ahern já é antiga - meu primeiro livro dela, There's no place like here, foi em 2010. Desde então, já li outros três, incluindo O livro do amanhã, sobre o qual já falei aqui no blog, e A vez da minha vida, que deve entrar em uma possível segunda edição dos meus Livros Inesquecíveis. Posso dizer sem medo que ela é uma das minhas autoras favoritas. Assim, quando abro um de seus livros, eu sempre tenho expectativas muito bem definidas:
  1. Uma protagonista que fuja do padrão da mocinha boazinha certinha chatinha;
  2. Suspense e/ou elementos fantásticos;
  3. Alguma mensagem positiva.
Era isso o que eu queria quando abri A Lista pela primeira vez. Foi isso que A Lista me entregou.

Vamos começar pela protagonista Katherine "Kitty" Logan. A sinopse não deixa claro, mas ela é culpada por estar com a vida desse jeito. Como a maioria das protagonistas da autora, uma soma de decisões erradas a levou ao fundo do poço, ao mesmo tempo em que a tornou uma pessoa superficial e egoísta. Essa pessoa magoou o amigo, foi abandonada pelo namorado e, após acusar um homem inocente por abuso sexual, perdeu não apenas o emprego, mas também a reputação. Quem vai querer uma jornalista que acredita na primeira fonte sem checar as informações? Constance parecia ser a única pessoa com quem Kitty tinha uma conexão real, mas, sem perceber, ela negligenciou até essa amizade, com a qual realmente se importava.

Conexões. Kitty perdera todas, mas tinha que encontrar uma: O que aquelas 100 pessoas tinham em comum?

À medida em que vai se encontrando as pessoas da lista, Kitty passa a se interessar mais por cada uma delas, e eu, que amo personagens, ainda mais. São várias histórias em uma, e elas vão se alternando, o que tornou a leitura bastante rápida (para os meus padrões atuais). Havia muito tempo que um livro não me prendia tanto. E eu até tentei ler alguma coisa no final, mas já esperava que não fosse resolver, pois esse é o tipo de história em que a jornada vale muito mais que o destino.

É durante a jornada que Kitty, em vez de apenas encontrar algo pronto, vai formando as conexões, vai descobrindo como é deixar de pensar apenas em si própria, vai ficando vulnerável. E essa é a parte mais legal. Apesar da história inteira se passar em cerca de duas semanas, ela passa tempo com aquelas pessoas e todos eles vão se abrindo aos poucos, vão evoluindo. No início, a maioria fica desconfiado e alguns trechos, que mostram esses personagens quando ela está ausente, acabaram me deixando ainda mais intrigada.

Agora, que estou parando para analisar, a mensagem que A Lista passa tem muito do que eu busco para mim todos dias: O não julgar alguém por um momento, mas procurar saber a história. Porque todo mundo tem uma história. Não importa se é a melhor ou a pior pessoa do mundo, ela tem um motivo para ser daquela forma, para ter agido daquela maneira. Kitty aprende muito sobre isso, ela aprende a não se contentar com a primeira versão da história e a se interessar pelo que está escrevendo. Se você não se interessa, você não cria empatia, não forma conexões, não transmite verdade.

Acredito que quem é jornalista ou trabalha na área de comunicação vá se identificar bastante com tudo isso. E uma das coisas mais importantes que aprendi recentemente foi que o meu trabalho também tem muito disso, de descobrir o que está por trás de cada personagem, o que acaba tornando as ficções ainda mais interessantes do que já eram.

Meu ranking segue com Where rainbows end (Simplesmente Acontece) em quinto lugar, O Livro do Amanhã em quarto e There's no place like here (Aqui é o melhor lugar) em terceiro. A Lista só não virou meu livro favorito da autora porque é muito difícil tirar esse título de A Vez da Minha Vida, mas chegou muito perto. Minha única reclamação foi não ter conseguido conhecer mesmo cada uma das 100 pessoas, pois acho que elas mereciam um livro próprio (ou, no mínimo, uma história curta). De qualquer forma, é uma leitura indispensável para quem já é fã ou um bom começo para quem ainda não conhece.


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