Crente cientista


Há cerca de um mês, chegou a mim o link de um vídeo da atriz Mayim Bialik chamado Science and Religion (em português, Ciência e Religião). Mayim é conhecida como a protagonista da série Blossom na década de 90 e por interpretar Amy Farrah Fowler, a namorada do físico Sheldon na série The Big Bang Theory. Ambas as personagens são muito inteligentes, assim como a atriz, que é PhD em neurociência. O que, imagino eu, muitas pessoas não sabem é que Mayim também é judia e segue os preceitos de sua religião. No vídeo, ela levanta um questionamento que muitas pessoas já devem ter ouvido: Não seriam ciência e fé incompatíveis?

Enquanto assistia, lembrei-me de um tweet do Felipe e uma ideia de post que eu guardara para o momento oportuno.
Eu sou cristã e sou cientista. Sou a Garota de Exatas™, a pessoa da lógica que já questionou a existência de Deus até resolver pesquisar mais a fundo sobre ele. Sou aquela que só acredita no que pode ser comprovado pela Bíblia ou pela Física. E, assim como vocês já perderam a conta das vezes que me viram dizer que amo Física, já perdi a conta das vezes que fui questionada por isso. Fico duplamente ofendida: o fato de ser cristã não me torna menos inteligente e o fato de amar a ciência não enfraquece a minha fé. Pelo contrário: para mim, ambos se complementam.

Eu vejo Deus na perfeição do universo e, como diz Mayim, no simples fato de nós existirmos. Eu vejo Deus nos ipês que colorem a minha praça durante o inverno. Eu vejo Deus quando quase toda a minha família se reúne ao fim da tarde de domingo para procurar cinco planetas alinhados no céu e no meu cunhado conseguindo capturar todos eles em uma fotografia. E eu vejo a ciência quando penso no formato de uma arca que resistiu à maior chuva que já caiu sobre a terra ou em um mar se abrindo.


É possível perseguir, ao mesmo tempo, o conhecimento científico e o divino. Embora seja mentira que Albert Einstein - agnóstico ateísta - tenha provado para seu professor que Deus existe, como diz aquela imagem com fundo de paisagem que sua tia crente compartilhou no Facebook depois de perceber que ninguém mais abre power point em 2016, um estudo realizado pela Rice University em 2015 provou também ser mentira a crença de que a maioria dos cientistas devem ateus.

Isaac Newton, meu físico mal-humorado e antissocial favorito também era teólogo. Em 2010, Neil deGrasse Tyson, ao ser questionado sobre a existência de um poder superior, mostrou-se agnóstico, mas reconheceu que 40% dos cientistas norte-americanos oram para um Deus pessoal e terminou com uma citação a Galileu Galilei que, apesar de seu conflito com a instituição Igreja, também conciliava o conhecimento e a fé. O próprio Charles Darwin, pai da teoria da evolução, pode ter sido religioso.

Ciência e religião não são opostas. São dois caminhos que ora divergem, ora se encontram, mas que buscam respostas diferentes. A ciência busca o como, a religião busca o porquê. Cabe a cada um de nós decidir se vai ignorar um deles ou se despir dos preconceitos e extrair o melhor de ambos.

"SE DEUS NOS DOTOU DE INTELIGÊNCIA E RAZÃO, POR QUE ELE NOS PRIVARIA DO SEU USO?" Galileu Galilei

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