[D52] Livros que eu acho que todo mundo deveria ler

Desafio das 52 semanas - Semana 34 - Livros que eu acho que todo mundo deveria ler

Hoje não é quinta-feira, mas também é dia de falar de livros, e dia de falar de livros é dia bom, mesmo quando o post sai mais tarde (a vida está atrapalhando o meu trabalho de blogueira; post atrasado, pele macia e cabelo lindo).

Desta vez, eu vou fazer um pouco diferente dos outros desafios. Em primeiro lugar - só pra não passar em branco, porque tem gente que realmente acha isso - eu continuo avessa à ideia do "tem que ler". Dessa forma, obviamente, eu não digo "todo mundo deveria ler" no sentido literal. Seriam os meus livros favoritos, os livros que mais me marcaram ou os livros que eu indico para muitas pessoas. Só que eu já escrevi um post desses e não quero repetir os três que listei lá, assim, a lista vai começar no número 4 e vocês terão, no total, 8 indicações bem variadas de livros que eu realmente considero incríveis e que merecem ser lidos por muitas e muitas pessoas.

Livros inesquecíveis

Desafio das 52 Semanas - Semana 34

Livros que eu acho que todo mundo deveria ler


4. A vez da minha vida (Cecelia Ahern)

A vez da minha vida - The time of my life - Cecelia Ahern

Certo dia, quando Lucy Silchester volta do trabalho, há um envelope de ouro no tapete. E um convite dentro dele para se encontrar com a Vida. Sua vida. Pode soar peculiar, mas Lucy leu sobre isso em uma revista. De qualquer forma, ela não pode ir ao encontro: está muito ocupada desprezando seu emprego, fugindo de seus amigos e evitando sua família. Mas a vida de Lucy não é o que parece. Algumas das escolhas que fez — e histórias que contou — também não são o que parecem. Desde o momento em que ela conhece o homem que se apresenta como sua vida, suas meias-verdades são reveladas totalmente — a não ser que ela aprenda a dizer a verdade sobre o que realmente importa. Lucy Silchester tem um compromisso com sua vida — e ela terá de cumpri-lo. (Fonte)

Este não deve ser nenhuma surpresa, dado que eu não perco uma oportunidade de falar que é meu favorito de uma das minhas autoras favoritas. Cecelia Ahern já apareceu aqui no blog com O livro do amanhã e A lista, mas nenhum deles me marcou tanto quanto A VEZ DA MINHA VIDA.  A Lucy é uma soma de muitas decisões erradas (e muitas mentiras), mas é muito fácil se identificar com ela, porque são aquelas coisas pequenas que a gente nem percebe que está fazendo. E o Vida é ótimo, as interações dos dois são muito divertidas. O livro é uma lição de vida disfarçada que, na hora certa, pode ser exatamente o que a gente precisa.

5. Senhora (José de Alencar)

Senhora - José de Alencar

Senhora é uma obra diferente de seu tempo, já que ele não é conduzido de um ponto de vista masculino, mas sim por uma mulher que traz para si a qualidade de sujeito da história. O tema central desse romance é o casamento por interesse, que José de Alencar transforma em uma espécie de transação comercial ao dividir a obra em quatro partes com nomes bem sugestivos: O Preço, Quitação, Posse e Resgate. Romance romântico com toques de realismo, há em Senhora, por meio de sua personagem principal, uma crítica sobre o modo como o dinheiro importava na sociedade da época. Seu autor procurou mostrar como a riqueza içava as pessoas por entre a alta sociedade, e como a falta de dinheiro as depreciava, como mostra ao relatar a vida de Aurélia, que vai do começo pobre à ascendência após receber a herança de seu avô. (Fonte)

Clássico da literatura brasileira, SENHORA é um romance doce e fofo, mas ridiculamente bem escrito. Eu não gosto de romances muito românticos, mas José de Alencar é uma bela exceção, que merece estar entre os escritores mais importantes do país. Aurélia é uma protagonista ótima, sem ser chata ou perfeita demais, e Fernando é o meu tipo preferido de mocinho, o pseudo bad boy. A própria premissa da história - a mocinha que quer se vingar do amor que a deixou por dinheiro - já prevê que os personagens sejam ricos e dinâmicos, sem o maniqueísmo que estraga muitas histórias com potencial. Vale muito a leitura que, inclusive, é bem rápida, pois, ao contrário de muitos autores românticos clássicos, José de Alencar é bastante objetivo.

6. Não me abandone jamais (Kazuo Ishiguro)

Não me abandone jamais - Never let me go - Kazuo Ishiguro

Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados.

No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir".

Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar. (Fonte)

NÃO ME ABANDONE JAMAIS é uma história distópica, que eu li justamente durante a moda das distopias no Brasil. Porém, ao contrário da maioria, o foco dele não é alguém querendo mudar a sociedade, mas aquelas pessoas que passam por ela querendo apenas viver o melhor que podem e isso foi o mais impactante para mim. Normalmente, a melancólica Kathy seria apenas uma figurante sem nome na história de uma Katniss, mas aqui ela tem voz, ela tem história. Ao mesmo tempo em que o livro te faz questionar o porquê deles aceitarem tudo daquela forma, ele desperta a empatia por essas pessoas invisíveis, que também existem aos montes no nosso mundo.

7. Amor de redenção (Francine Rivers)

Amor de Redenção - Redeeming Love - Francine Rivers

Nesta versão da história bíblica de Oseias, Francine Rivers conta o romance entre uma prostituta e o honesto e gentil agricultor que se casa com ela. 'Amor de redenção' começa com a Corrida do Ouro de 1850 e sua atmosfera de dura competitividade e ganância. Angel, vendida como prostituta quando criança, aprendeu a desconfiar de todos os homens, que a veem apenas como uma forma de satisfazer seus desejos. Quando o virtuoso Michael Hosea recebe de Deus a ordem de se casar com Angel, ele obedece, apesar de seus receios. (Fonte)

Um livro de ficção cristã que você não precisa ser cristão para amar, principalmente nesses tempos de pouca empatia. AMOR DE REDENÇÃO ilustra a essência do Cristianismo, da qual nós não deveríamos nos esquecer. É a história do mais puro amor, aquele amor que não está condicionado pelas circunstâncias. Michael Hosea toma a decisão de amar Angel e não volta atrás. Isso é muito importante, porque teria sido muito mais fácil desistir, ninguém poderia julgá-lo. Mas ele escolheu ver além do que parecia, ele resolveu não julgá-la, ele tentou entendê-la. É claro que, às vezes, nós temos que pensar no nosso próprio bem, em vez de tolerar tudo, mas tudo tem um motivo. A Angel tinha um motivo para ser como era e ser maltratada novamente não iria lhe fazer nenhum bem, e ele lhe deu exatamente a paciência e a lealdade que ela precisava, e eu acho esse um exemplo incrível que nós deveríamos seguir com mais frequência.

8. Caderno H (Mario Quintana)

Caderno H - Mario Quintana

O Caderno H, de Mario Quintana, tem uma longa história. Começou a ser publicado na revista Província de São Pedro, de Porto Alegre, em 1945. Foi, inclusive, com parte desse material que Quintana, em 1948, montou seu livro de poemas Sapato florido. Ainda em 1945, Quintana escreveu o livro Espelho mágico, com poemas em prosa ou prosa poética, que só seria publicado seis anos depois, em 1951. O Caderno H, contudo, continuou a sair a partir de 1953, quando Quintana ingressa no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, na página literária dos domingos. Mas somente em 1973 o poeta selecionaria desse amplo material os fragmentos que comporiam a primeira edição em livro do Caderno H, publicada pela Editora Globo. Desde essa data, as diversas reedições da obra confirmam-na dentre as que mais interessam ao grande público do autor. Na bibliografia de Quintana, o Caderno H liga-se diretamente a Espelho mágico, pois ambos experimentam a prosa poética ou o poema em prosa, privilegiando a forma epigramática como visão da realidade. O Caderno H também torna visível que o poeta se interessou por essas modalidades de forma por toda a vida, ao mesmo tempo que continuava praticando a poesia em versos livres ou de formas fixas como o soneto, destilando por quase trinta anos sua obra em epigramas e prosa. (Fonte)

Li CADERNO H para o vestibular e nunca imaginei gostar tanto de uma leitura obrigatória. É um livro para ser lido aos poucos, mas que, ao mesmo tempo, dá vontade de ler todo de uma vez. Não é um livro tradicional de poesia, parece mais uma coleção de citações sobre vários assuntos e só citações boas. Inclusive, termino aqui com uma delas, como mais um incentivo para que vocês leiam.

Agora, me digam: Quais são os livros que vocês indicam?

Poeminha do Contra - Caderno H - Mario Quintana

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