[Série] Life in Pieces

Life in Pieces

Com Agosto chegando ao fim, todos os seriadores começam a pensar na volta de suas séries queridas, ao mesmo tempo em que, mesmo com a reclamação universal do tempo escasso, espera as estreias da chamada fall season.

Este já é meu quarto ano como parte desse grupo de indivíduos assistidores de séries. Todo ano, eu passo os olhos pelas listas de séries novas - o Banco de Séries é ótimo pra isso, com seus projetos a cada começo de temporada - e elejo as que me interessam. No início, são muitas, mas a lista vai diminuindo. Algumas séries são canceladas antes mesmo de começarem. Por outras, eu simplesmente perco o interesse, com ou sem motivo específico. Acontece. Outra coisa que sempre acontece é eu começar setembro com várias comédias na lista, mesmo sabendo que algumas não irão sobreviver a uma temporada completa.

Nas primeiras vezes, eu fiquei chateada. Agora, já entro sabendo do risco, com a filosofia de apenas me divertir com quantos episódios quiserem me dar.

Foi assim que eu comecei a ver Life in Pieces.

Life in Pieces - First Date - Matt e Colleen

Comédias familiares não são minhas favoritas; com exceção daquelas antigas clássicas, a única que vejo é Modern Family, e mesmo com ela eu tenho algumas ressalvas. Quando li a sinopse do que alguns diziam ser a cópia dela, o que me chamou a atenção foi o fato dos episódios apresentarem quatro histórias distintas (embora quase sempre conectadas). Um dos motivos para eu preferir as comédias de 20 minutos aos dramas de 40 é a minha incapacidade de passar muito tempo prestando atenção em uma coisa só (já me perguntaram se eu tenho TDAH, e a resposta oficial é: não). Para mim, é muito mais fácil me concentrar em 4 histórias de 5 minutos do que em uma história de 20.

Já prevendo o cancelamento, pensei que poderia ser uma boa forma de me divertir por alguns episódios. Eu realmente não esperava gostar tanto. Felizmente, o público americano também gostou e Life in Pieces foi a comédia estreante mais bem-sucedida do ano e uma das maiores audiências de sua emissora, perdendo apenas para o sucesso já consolidado de The Big Bang Theory, NCIS e Criminal Minds.

Life in Pieces - The Delivery - Jen e Greg

Ao contrário do que eu esperava, o formato fragmentado não é o principal atrativo da série, mas suas consequências o são. Com cada parte tendo em torno de cinco minutos as histórias precisam ser objetivas, o que me impede de querer tomar água naquele instante específico e só voltar dali a duas horas, depois de ler a timeline no Twitter, postar foto de florzinha no Instagram e fazer meia dúzia de quizzes no Buzzfeed. Mesmo se alguma história específica não me agradar, é mais fácil continuar quando eu sei que já vai terminar. Às vezes, até termina de um jeito que me faz querer mais - e os roteiristas são bons o bastante para dar continuidade aos plots, ainda que de forma espaçada.

Outra consequência positiva é o fato de nenhum dos personagens ser esquecido. Obviamente, alguns aparecerão mais ou menos ao longo da temporada, mas você já sabe que pelo menos quatro deles, um de cada núcleo, terão destaque em cada episódio. Como alguém que sempre gosta dos personagens esquecidos - vide Haley e Alex Dunphy, e minhas ressalvas já mencionadas com a série familiar mais famosa da atualidade - acho que esse equilíbrio é fundamental.

Life in Pieces - The College Tour - Heather, Tim, Tyler, Samantha e Sophia

Falar disso me lembra também de um artigo que li há pouco tempo, How Comedy Usurped Drama As the TV Genre of Our Time. Com vários exemplos dos dois gêneros, o autor diz que enquanto os dramas são cada vez mais guiados pela história, as comédias são guiadas pelos personagens. Talvez seja este o motivo para que a balança entre ambos nas minhas séries esteja cada vez mais desequilibrada. Ao mesmo tempo em que aguardo ansiosamente pelas novas temporadas de You're the worst, Younger ou Grace & Frankie (para não falar no revival da favorita de todos os tempos), em menos de um ano e meio eu abandonei cinco dramas (Scandal, Grey's Anatomy, Once upon a time, How to get away with murder e Quantico).

Life in Pieces ainda não teve tempo suficiente para grandes evoluções em seus personagens, mas parece estar no caminho certo. Desde o início, todos eles se mostraram coerentes e alguns até tiveram o que cabe de desenvolvimento em apenas 22 episódios. E, para minha alegria, todos eles são realistas e "gostáveis".

Life in Pieces - The Funeral - John e Joan

Ou quase. Os patriarcas John e Joan Short podem ser exagerados e irritantes, às vezes, mas os seus filhos e netos compensam. Jen, esposa do caçula Greg Short, é minha favorita (e, surpreendentemente, favorita de muitos). Zoe Lister-Jones deveria ser mais conhecida, porque ela é maravilhosa e consegue fazer rir com apenas um olhar. (Eu adoraria um encontro dela com a Penny de TBBT e a Brianna de G&F.) Mas a verdade é que todos eles são daqueles personagens com quem é fácil se identificar.

A segunda temporada da série está prevista para estrear em 27 de outubro. A season finale foi marcante pelas mudanças na vida de vários personagens e a adição de Hunter King no elenco regular, então, já dá para imaginar algumas das histórias que eles contarão num futuro próximo. Infelizmente, os episódios só estão disponíveis por "meios alternativos", mas torço para que a Netflix ou alguma emissora brasileira a descubram logo, pois a série vale a pena e, se continuar no mesmo ritmo, deve durar por mais alguns anos.

Life in Pieces

CONVERSATION

Back
to top