Fall season 2016: As amadas e as abandonadas


Já faz cerca de um mês que começou fall season 2016/2017, cheia de novidades para todos os fãs de séries. Este ano parecia especialmente promissor, melhor do que os outros que acompanhei, e meus 10 dias de férias no início de outubro me deram algum tempo extra para conhecer várias séries novas. Algumas foram boas ou muito boas, mas outras não são para mim e já foram devidamente abandonadas. Também há aquelas que eu gostei, mas vou com calma antes de me empolgar demais - nos dois anos anteriores, How to get away with murder e Quantico me ensinaram a não confiar que os dramas vão continuar bons depois do primeiro hiato. No final, ainda tenho uma agenda mais cheia do que deveria, mas estou me divertindo bastante.

Como não sei se algum dia terei a oportunidade de falar sobre cada uma dessas séries individualmente, achei que seria legal fazer um compilado com todas elas e espero não me decepcionar com as que ficaram.


Fall Season 2016: As [séries] amadas e as abandonadas


Parte 1: Só vi o piloto


Eu não gosto de ver só o piloto, porque muita coisa pode mudar do primeiro para o segundo episódio de uma série. Por isso, tenho uma regra de assistir a 4 episódios antes de dar um veredicto. Mas, como diz a sábia filósofa Sandy Leah, “eu quebro as minhas leis, pois só assim elas pertencem a mim”, essa regra também tem exceções. Em geral, dois motivos me fazem parar com uma série antes do quarto episódio. O primeiro é quando a série parece boa, mas não é exatamente o que eu esperava ou gostaria no momento, então deixo para depois. O segundo, é quando eu não consigo simpatizar com os personagens. Sei que parece precipitado, mas minha intuição costuma acertar quando eu não gosto de alguém com tão pouco tempo. Além do mais, não é como se eu estivesse com tempo sobrando e poucas séries para ver, então meu rigor para abandonar está baixo.

As três séries que abandonei no piloto se encaixam nesse caso.

American housewife


Sem remorso, confiante e mãe de três filhos, Katie Otto (Katy Mixon, Mike and Molly), cria sua nada normal família, na rica cidade de Westport, em Connecticut, cheia de mães perfeitas e suas famílias exemplares. (Fonte)

Eu quase dei uma segunda chance para essa comédia, porque não acredito que os próximos episódios possam ser tão ruins quanto o primeiro, mas duvido que vá sobreviver por muito tempo com personagens tão chatos, principalmente a protagonista. Eu esperava que ela fosse uma Lorelai, deslocada no meio das famílias perfeitas do bairro, mas as únicas coisas que American Housewife tem em comum com a série das garotas Gilmore são o estado de Connecticut e os diálogos rápidos. Aqui, porém, em vez de inteligentes, esses diálogos são irritantes, principalmente porque são cortados por narrações de Katie. Ela não para de falar. Para completar, a personagem fala mal das vizinhas e se acha superior a elas por não aderir ao estilo fitness da moda, ao mesmo tempo em que não quer ser a segunda dona de casa mais gorda do bairro. Se tem um tipo de personagem com o qual eu não tenho um átomo de paciência é o que se acha melhor.

Divorce


Frances (Sarah Jessica Parker) está muito frustrada com o casamento que tem com Robert (Thomas Haden Church). Ela pensa seriamente em se divorciar e antes de tomar a decisão acaba se envolvendo com um professor de literatura. (Fonte)

Supostamente uma comédia, a série de 40 minutos da HBO teve um piloto que não teve graça e custou a passar. Começo a pensar que a culpa é de Sarah Jessica Parker, já que eu tive a mesma sensação quando tentei assistir Sex & The City. Achei todos os personagens de Divorce incrivelmente chatos: os filhos que não têm respeito pela mãe, as amigas exageradas, a mulher que se faz de vítima enquanto trai o marido e, principalmente, o marido, que parece ter saído de um quadro de A Praça é Nossa.

Insecure


A série acompanha o cotidiano de duas mulheres negras que precisam lidar com adversidades em seu trabalho. (Fonte)

A premissa da série é boa e eu adoro séries que focam em grupos (ou, no caso, uma dupla) de amigos de vinte-e-poucos-trinta-e-poucos anos. Eu esperava gostar, de verdade, e acho que a Insecure vai fazer muito sucesso, por ter duas protagonistas negras e contar com a produção da HBO, mas não deu. Embora tenha gostado de Molly, não consegui simpatizar com a Issa, o rosto principal da série, em nenhum momento. Ao contrário, ela me irritou o tempo todo - e me irritou ainda mais quando percebi que, por causa dela, eu não conseguiria assistir a uma série que tinha um grande potencial de me agradar.

Parte 2: Não passou na prova dos 4


Eu gosto de regras, fórmulas e teorias como só uma pessoa orgulhosa por ser uma Garota de Exatas poderia gostar. Embora não possam ser aplicadas para sempre, em geral, elas facilitam muito a minha vida. Críticos de TV vivem tentando descobrir quantos episódios são o bastante para alguém decidir se deve abandonar ou continuar com uma série, mas muito antes de ler as ideias de qualquer um deles eu já tinha percebido que, na maioria das vezes, o episódio 4 é o divisor de águas para mim - se eu não gostei da série até ali, é porque não vale a pena.

Better things


Better Things, criada por Louis C.K. e Pamela Adlon, ambos de Lucky Louie e Louie. A comédia apresenta a vida de Sam (Adlon), uma atriz que luta para se estabelecer na carreira e criar suas três filhas, interpretadas por Mikey Madison, Riley Watson e Olivia Edward. Sem medir palavras, ela enfrenta problemas em seu trabalho e no relacionamento com as filhas e amigos. (Fonte)

Eu poderia continuar com Better Things se não tivesse tantas outras séries melhores, porque ela não é ruim, mas também não é boa a ponto de eu sentir vontade de assistir.

Parte 3: No limbo


Easy


Diferentes residentes de Chicago vivem suas vidas peculiares na cena cultural-tecnológica-amorosa-sexual da cidade dos ventos. (Fonte)

Comecei Easy por um único motivo: Aya Cash.

Para quem não conhece Aya é quem interpreta Gretchen em You’re the worst - minha personagem favorita em uma das minhas séries favoritas. Após ver um vídeo promocional no Twitter, fiquei interessada por saber que a personagem dela nessa série era completamente oposta ao que estou acostumada (na verdade, eu consigo imaginar claramente a Gretchen falando mal de pessoas como a Sherri).

Os episódios são independentes e focados em personagens diferentes, e o que eu queria ver era o terceiro, assim, vi três episódios e dei minha curiosidade por satisfeita. Talvez, volte algum dia.

Parte 4: Ainda avaliando


Designated survivor


Kiefer Sutherland está de volta ao horário nobre da TV americana como Tom Kirkman em um thriller conspiratório, que mostrará a visita do presidente da nação a casa de um servidor público, Kirkman no caso, depois de um ataque desastroso ao Capitólio Nacional em Washington. Tom terá que, então, lutar para proteger seu país e sua própria família de viver no extremo caos. (Fonte)

Uma das estreias mais badaladas da temporada - que conta com nomes como Kiefer Sutherland, o eterno Jack Bauer de 24, Italia Ricci de Chasing Life e Maggie Q de Nikita - começou ótima. Todos os quatro primeiros episódios foram muito bons e eu não apenas não odiei nenhum personagem como até gostei do protagonista, Mr President Tom Kirkman. Porém… É um drama da ABC.

Scandal, Grey’s anatomy, Once upon a time, How to get away with murder e Quantico. Cinco séries da ABC que eu abandonei pelo mesmo motivo - dramas exagerados, que se importam mais em chocar do que em desenvolver seus personagens. Com esse histórico em minha carreira de seriadora, eu não deveria nem ter começado Designated Survivor, mas não resisti e, agora, só me resta torcer para não desandar como as outras.

No tomorrow


A comédia romântica acompanha uma analista de riscos que se apaixona por um rapaz de espírito livre que leva a vida sem se importar com o que está do outro lado da esquina, pois acredita que o apocalipse está chegando. (Fonte)

A série é baseada na brasileira Como aproveitar o fim do mundo, minissérie global com Alinne Moraes e Danton Mello exibida em 2012 - da qual eu assisti a alguns episódios na época, mas acabei abandonando. De No Tomorrow, já assisti a dois episódios e, embora tenha gostado bastante deles, há algumas coisas que me incomodam. No início, eu temia que essa premissa de fim do mundo não pudesse se sustentar por muito tempo, principalmente por ser uma série de 40 minutos, mas o piloto já se encarrega de resolver o problema, fazendo com que a protagonista Evie decida aproveitar a cada dia independente de acreditar que é o último. Porém, eu continuo achando que 40 minutos semanais é muito tempo, e o roteiro do segundo episódio, com muitos plots paralelos de personagens pelos quais ainda não aprendemos a nos importar, apenas confirmou essa impressão.

Se fosse em qualquer outra emissora, eu apostaria no cancelamento da série, mas a CW tem investido em comédias de 40 minutos que não sobreviveriam em outros lugares - e vale lembrar que é a emissora que deu uma chance ao piloto de Amy Sherman-Palladino sobre uma mãe solteira criando sua filha em Stars Hollow, então, sempre há a esperança de que saia algo maravilhoso.

Parte 5: Amei


Como eu disse no início, algumas séries quebram a regra dos 4 episódios logo no início, ainda que eu opte por aguardar esse tempo antes de dar meu veredicto. Como aconteceu com Life in Pieces no ano passado ou You’re the worst no anterior, desta vez foram três as séries pelas quais eu me apaixonei à primeira vista (e que até já passaram pelo “período de experiência”).

Speechless


Maya DiMeo (Minnie Driver, About a Boy) é uma mãe disposta a fazer qualquer coisa para seu marido, Jimmy, e para seus filhos Ray, Dylan e JJ, seu filho mais velho que necessita de cuidados especiais. Enquanto Maya luta contra as injustiças reais e imaginadas, sua família trabalha para que sua nova casa se transforme em um lar e para que, finalmente, encontrem alguém que entenda as necessidades de JJ, fazendo com que ele tenha voz. (Fonte)

Algo que se pode esperar todos os anos é uma nova comédia familiar nas quartas-feiras da ABC. A maioria não me chama a atenção e não sei o que exatamente me levou a me interessar por Speechless, mas a série acabou me conquistando já na primeira cena. A propósito, devo dizer que os roteiristas têm acertado muito no início dos episódios, sempre com cenas muito engraçadas.

Os episódios seguintes só aumentaram o amor. Embora a vida da família Dimeo gire em torno de JJ, o filho com paralisia cerebral, todos os personagens são ótimos, cada um à sua maneira. Em especial, o estilo de vida “largado” deles já me fez rir muito e eu adoro como eles são declaradamente pessoas horríveis.

The good place


Eleanor é uma mulher do Arizona que... morre. Ela vai parar no "bom lugar", onde a felicidade é eterna e todo mundo é bom. O problema é que ela não é quem eles acreditam, e não acha que deveria estar lá, e vai fazer de tudo para tentar descobrir se é ou não uma pessoa boa ou ruim. (Fonte)

Falando em pessoas horríveis, esse é um motivo para eu me interessar por qualquer história. Principalmente se a Pessoa Horrível for uma protagonista em meio a dezenas de pessoas boas. Para melhorar, a série tem um humor afiado e cheio de referências, de um jeito quase gilmorístico.

Alguns personagens começam bastante caricatos, mas os episódios estão desconstruindo essa imagem aos poucos. E a série me surpreendeu ao aprofundar alguns deles logo no início da temporada. De todas as novas séries, esta foi a que mais me empolgou. Inclusive, o piloto é episódio duplo e eu só percebi quando procurei pelo segundo.

This is us


A série é uma crônica da relação de um grupo de pessoas que nasceram no mesmo dia, incluindo Rebecca (Mandy Moore) e Jack (Milo Ventimiglia), um casal esperando trigêmeos, Kevin (Justin Hartley), um ator que está cansado do que faz, Kate (Chrissy Metz), uma mulher tentando perder peso e Randall (Sterling K. Brown) um homem rico à procura de seu pai biológico. (Fonte)

Esta é outra série que está sendo muito [bem] falada, tanto nos EUA quanto aqui. Fiquei interessada desde que soube a respeito, principalmente pela presença do Milo (talvez, na esperança de seu personagem ser a melhor pessoa da série se escondendo atrás de uma jaqueta de couro e um sorriso de bad boy, o que ainda pode ser que aconteça), mas, assim como fiz com Designated Survivor, único outro drama dessa lista, esperei mais de duas semanas até começar, por receio de me decepcionar. O piloto, porém, não apenas não me decepcionou, mas me surpreendeu. Eu ri, chorei e senti que já conhecia aquelas pessoas há anos, sempre curiosa para saber qual é a relação entre elas, o que também acabou me surpreendendo.

This is us é um drama familiar, por vezes comparada a Parenthood. Como essa eu não assisti, não posso dizer se a comparação é válida, mas estou cada vez mais apaixonada pela série e por cada um desses personagens. Adorei a forma como as histórias se entrelaçam, as diferenças de personalidade, a forma como a história é contada, amei tudo. Já estou muito curiosa com o desenrolar de algumas histórias, já tenho teorias, já torço por cada um. São todos ridiculamente humanos, ninguém é perfeito, e as histórias são contadas com uma delicadeza incrível, seja em assuntos aparentemente banais ou em temas mais pesados, como alcoolismo e racismo. Gostei tanto da série que tenho medo de acabar me decepcionando no futuro.

Enquanto escrevo, episódios de This is Us e No Tomorrow me esperam. Nem eu sei como estou conseguindo assistir tanta coisa, mas, se tiverem recomendações (de séries novas ou antigas), fiquem à vontade para deixar nos comentários. Pode não dar tempo agora, mas quem vê séries sabe que nunca é demais.

Diz a lenda que, se você fizer três referências a Gilmore Girls no mesmo post, 25 de novembro chega mais rápido. Não sei se é verdade, mas fiz seis só pra garantir. Posso pedir música no Fantástico?

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