[D52] No ano que vem, eu quero


Acabou. Ou, pelo menos, está acabando. O Réveillon é minha data favorita do ano, mas, também, aquela que eu não quero que chegue logo. É a data que me traz todos os tipos de sentimentos mesclados em algo que não consigo nomear. Talvez, eu esteja apenas sendo hipócrita ao dar importância a uma data supostamente especial enquanto desprezo todas as outras. Talvez, haja mesmo alguma mágica nesse recomeço, ainda que seja a mágica de uma desculpa que nos damos para enfrentar os próximos dias com ânimo renovado.

Sim, eu sei, não é a mudança de um número no calendário que tornar tudo diferente. Mas, com a realidade sempre tão complicada, quem pode nos culpar se precisamos desse incentivo? Avaliamos, planejamos, prometemos. Prometemos e queremos cumprir. É uma pena que nem sempre seja possível.

Este é o último post no Desafio das 52 Semanas e também é o único que eu não vou responder no padrão que estabeleci desde janeiro.

Na quinta-feira, enquanto esperava um ônibus no centro de Belo Horizonte para chegar ao meu último dia de trabalho de 2016, um senhor me abordou. Ele tomava um café que, segundo ele, estava muito bom. Estávamos em frente ao grande e majestoso templo da Igreja Universal, e ele sentou-se ao meu lado, comentando que chegara muito cedo para o culto da manhã. Perguntou se eu também estava ali para isso - é engraçado como as pessoas sempre acham que quem pega o ônibus ali em frente também frequenta a igreja. Eu não sou do tipo de que conversa com desconhecidos, então, apenas respondi que não e deixei que falasse. Ele contou que veio do Rio de Janeiro e frequenta várias igrejas, participando de todas as campanhas. Ele quer se aposentar e pagar suas dívidas.

Após cerca de cinco minutos, veio o ônibus que eu esperava e, educadamente, acenei com a cabeça para aquele senhor que não parava de falar. Em resposta, ele concluiu: "Esse é o meu sonho, mas eu não conto para ninguém, porque essas coisas a gente não pode contar".

Foi engraçado essas palavras isso de alguém que acabara de contar tantas coisas a uma estranha - ainda que ela nem estivesse prestando atenção em tudo. Mas é um fato que, às vezes, nós falamos demais. Os mais velhos, os mineiros, os blogueiros.

Eu não gosto de contar meus planos. Inclusive, todas as vezes que fiz isso no blog, acabei não conseguindo cumpri-los como gostaria. Assim, no ano que vem, eu só quero fazer mais que falar. E quero que vocês estejam aqui para ouvir quando eu vier comemorar.

Um feliz ano novo para todos os meus leitores. Que, em 2017, nós possamos aproveitar cada segundo, ser muito felizes com as coisas boas e aprender com as ruins. E que cheguemos ao próximo 31 de dezembro com o coração quentinho e cheio de lembranças queridas.

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