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Eles estão por toda a parte e, se você mora nas principais capitais do Brasil, já deve tê-los encontrado, no mínimo, uma vez. Em Belo Horizonte, é quase impossível entrar em um shopping sem ter que se desviar deles.

Eles são jovens, bonitos e sorridentes, em seus coletes coloridos da Unicef, Aldeias Infantis ou Greenpeace. Eles vão perguntar se você tem um minuto. Se você gosta de crianças. Se 1 real vai fazer muita falta no seu dia. Eles vão te chamar de Angelina Jolie, perguntar se você já é maior de idade. Você vai sorrir, mas vai pegar o celular e fingir estar recebendo uma ligação importantíssima, enquanto se apressa para, logo em seguida, encerrar a chamada imaginária e postar um tweet supostamente espirituoso com a hashtag #somostodospessoashorriveis.
Sim, eles são insistentes, invasivos, inconvenientes. Mas há outro motivo para eles nos incomodarem tanto: O que eles falam é verdade. Não a parte de eu ser a cara da Angelina Jolie, infelizmente. É verdade que há muitas pessoas no mundo que poderiam se beneficiar de um dinheiro que a mim não fará falta.

Não é que eu seja rica e que seja muito o dinheiro que não vai me fazer falta. É que essas pessoas realmente não têm quase nada. E é principalmente por isso que eu fujo dos jovens bonitos com coletes coloridos da Unicef como o diabo foge da cruz - porque eles me fazem me sentir culpada. Eu tenho motivos válidos para não fazer minha contribuição ali (eu não me sentir à vontade passando o número do meu cartão de crédito para desconhecidos no meio da rua, não gostar de me sentir coagida e também porque eles vão continuar me parando e sendo chatos mesmo se eu doar todo o meu salário). Mas eu sou a campeã mundial em me sentir culpada e me sinto, sim, muito mal quando eu penso que um brigadeiro me custa o que poderia ser o almoço de uma criança faminta.

Criança - Sudão do Sul - Share the Meal
E vejam que coisinha mais linda, gente!
Na primeira vez que um jovem bonito de colete colorido me parou na rua, eu o ouvi e, quando ele terminou, eu disse que, embora sentisse muito pela sua comissão perdida, eu me sentiria mais segura doando pelo site e lhe prometi fazer isso. Cumpri a promessa? Não. Eu queria, mas nunca me lembrei. Alguns meses atrás, porém, o Share The Meal apareceu na minha tela. Não me lembro se alguém compartilhou nas redes sociais ou se foi um post patrocinado, mas a ideia me chamou a atenção.

O Share the Meal é uma forma prática de compartilhar o que não vai me fazer falta - seja muito ou pouco - com quem não tem nada. Para começar, basta baixar o aplicativo na Google Play, App Store ou Amazon, criar o seu perfil e incluir uma forma de pagamento. A partir daí, com poucos cliques você poderá doar quantas refeições quiser.

O valor mínimo é de $0,50 (aproximadamente R$1,56). Com cinquenta centavos de dólar, você pode alimentar uma criança por um dia. Mas o aplicativo também dá outras opções, como uma criança por uma semana ($3,50), um mês ($15,00), três meses ($45,00), um ano ($182,50) ou de doar mensalmente.

Todas as doações são repassadas para o United Nations World Food Programme (Programa Alimentar Mundial das Nações Unida), que as redireciona conforme a necessidade. Desde Fevereiro de 2017, está ocorrendo uma campanha emergencial pelo Sudão do Sul, onde 40% da população passa fome. O objetivo da campanha é compartilhar 1 milhão de refeições.

Eu comecei em Janeiro, com um desafio particular de doar sempre que comprasse sobremesa. Porém, o início do ano foi estressante e eu como muito doce quando estou nervosa no trabalho, então, optei pela praticidade da doação mensal. Para mim, é abrir mão de comprar dois livros, fazer duas viagens de Uber ou almoçar em um restaurante caro. Ao longo do ano, é uma diária a menos em um hotel. Eu posso sobreviver sem todas essas coisas se isso ajudar a manter viva uma criança em algum lugar. Não vai mudar o mundo, mas pode trazer a esperança para alguém que precisa dela.

Não vou vestir um colete azul e jogar o jogo da culpa dizendo que você também pode abrir mão de quinze dólares por mês, porque cada um sabe das suas necessidades e das suas possibilidades. O que você faz com o seu dinheiro não é da minha conta. Este post não é para te convencer de nada, e muito menos tem a intenção de achar que eu sei administrar o seu dinheiro melhor que você. Este post é para dar uma opção a quem pode e quer fazer algo por alguém. Se este é o seu caso, eu estou aqui para te mostrar que é possível e tão fácil quanto baixar um aplicativo e criar uma conta. Não deixe que a preguiça te impeça!

OBS: Todas as imagens utilizadas neste post foram obtidas no press kit disponível no site Share the Meal.

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