Santiago Para Leigos - Parte 2


Na semana passada, eu escrevi o primeiro post da série Santiago para Leigos, onde compartilhei várias informações sobre a cidade que tive a oportunidade de conhecer nas férias. Hoje, quero deixar a parte prática de lado para falar de tudo o que eu fiz - e o que não fiz - durante os seis dias que passei na cidade.

Santiago é uma cidade rica em atrações para todos os gostos. Infelizmente, devido aos feriados, acabei perdendo algum tempo e alguns itens, tanto dos que estavam na minha lista de desejos quanto os que descobri posteriormente, ficaram para uma próxima visita. Nas imagens que abrem cada sessão, você vai encontrar os dois tipos, mas, obviamente, falarei de forma mais detalhada sobre aqueles lugares que visitei e, especialmente, sobre os que mais gostei.

O que você gosta de fazer quando visita uma cidade nova? Museus? Parques? Restaurantes? Sejam quais forem as suas preferências, embarque comigo nessa viagem pelos principais pontos turísticos da bela capital chilena.

O que fazer em Santiago, Chile


Começando bem


City tour: uns amam, outros odeiam. Eu nunca havia feito, mas descobri ser uma ótima forma de começar a explorar uma cidade (embora eu tenha feito no segundo dia e não no primeiro). Santiago possui várias agências que oferecem o serviço; a que utilizamos se chama Turistik e parece ser uma das mais famosas, com seus ônibus vermelhos que imitam os coletivos de Londres.

Há vantagens e desvantagens em se contratar esse tipo de serviço. Dentre as desvantagens estão o preço e a pouca flexibilidade. As vantagens são o conforto, a presença de guia e a possibilidade de ver muita coisa em pouco tempo. No nosso caso, as vantagens foram maiores, dado que escolhemos um ônibus do tipo hop on/hop off, que permite ao turista parar onde e por quanto tempo quiser, embarcando novamente em um dos ônibus seguintes.

Como sabíamos que nosso tempo era limitado, principalmente pelos feriados que estragaram tudo, a ideia era conhecer por alto os pontos turísticos principais para depois decidir em qual gostaríamos de voltar. Foram 13 pontos, localizados principalmente nas comunas do Centro, Providencia e Las Condes, e o ônibus conta com audioguia em diversos idiomas. Minha parte favorita foi o Centro, pois os áudios, que ouvi em Espanhol, te permitem conhecer um pouco da história do país.

Chile - Santiago - Vista do Barrio Bellavista a partir do ônibus.
Vista do Barrio Bellavista a partir do ônibus.
Chile - Santiago - Palacio de la Moneda
Palacio de la Moneda
Chile - Santiago - Plaza Baquedano/Plaza Italia
Plaza Baquedano/Plaza Italia

Curtindo o outono


Como comentei no post anterior, uma coisa que me deixou fascinada em Santiago foram as cores da cidade no Outono. Pude apreciar a estação ao caminhar por alguns dos parques da cidade - que são diferentes dos parques de Belo Horizonte, pois são abertos e fazem parte do caminho, facilitando para quem não tem muito tempo.

No primeiro dia, conheci os parques Balmaceda, Bustamante e Bicentenário. Os dois primeiros são menores; além das muitas árvores e bancos, os dois possuem algumas esculturas curiosas e ambos possuem bibliotecas públicas (que, infelizmente, estava fechada, devido ao feriado da Sexta-Feira da Paixão ou Viernes Santo). Balmaceda e Bustamante formam um ângulo de 90 graus, em cujo vértice encontra-se a Plaza Baquedano ou Plaza Italia. Depois dela, está o Parque Forestal e do outro lado do Parque Balmaceda está a Plaza a La Aviación.

Quatro quilômetros depois, na comuna de Vitacura, começa o Parque Bicentenário, meu favorito. Com cerca de um quilômetro de extensão, que segue a costa do rio Mapocho, o parque tem duas lagoas, área para piquenique, áreas de brinquedos para crianças e para cachorros, esculturas, um mini zoológico com flamingos, patos e outros animais, e o prédio do centro cívico da comuna. É um passeio muito agradável, perfeito para famílias passarem o tempo em uma manhã de domingo ou para sentar e ler em um feriado. Na outra extremidade do parque, está o restaurante Mestizo e do outro lado do rio, fica o Parque Metropolitano - falarei de ambos adiante.

Chile - Santiago - Vista da janela do hotel
Vista da janela do hotel
Chile - Santiago - Plaza a la aviación
Plaza a la aviación

Chile - Santiago - Parque Bicentenário
Parque Bicentenário

Apreciando a vista


Eis um fato curioso e ligeiramente contraditório sobre mim: Embora tenha medo de altura, eu amo a vista em lugares altos. No meu grupo de amigos, sou aquela que faz os outros correrem com a programação para dar tempo de ver o pôr-do-sol. Obviamente, minha passagem por Santiago tinha que incluir, pelo menos, um mirante. Minha ideia original era jantar no famoso Restaurante Giratório, porém, mudei de planos quando percebi que havia dois pontos ainda melhores.

O primeiro que visitamos foi no Parque Metropolitano. Durante o City Tour, paramos em uma das entradas do parque e subimos de teleférico até o pé do Cerro San Cristóbal, onde encontra-se a estátua de Inmaculada Concepción, um dos pontos mais altos da cidade e que pode ser vista a vários quilômetros de distância. Para quem tem medo de altura, a subida de teleférico é assustadora - mais que a subida do Pão de Açúcar, pois os bondinhos são menores e, assim, balançam mais - mas a vista compensa. Imagino que seja ainda mais bonito no inverno, com a Cordilheira dos Andes coberta de neve.

Outra forma interessante de subir é através do funicular, uma espécie de trem-elevador puxado por roldanas, comum na Europa. Tanto o funicular quanto o teleférico custam em torno de R$15 (ida e volta) e, nos dias em que passamos por lá, sábado e domingo de Páscoa, as filas estavam enormes (de acordo com o horário das minhas fotos, nós ficamos cerca de duas horas para subir e uma hora para descer).

De cima do morro mais alto de Santiago, vemos o prédio mais alto da América Latina, o Costanera Center, aonde fomos no final do dia. Fizemos o percurso no ônibus do City Tour, mas descendo de funicular é possível pegar o metrô na estação Baquedano e seguir até a estação Las Condes. Chegando lá, a subida do Costanera Sky custa em torno de R$50. Nos dois andares que compõem o mirante, não há nada além da visão 360º da cidade, com informações sobre alguns pontos e binóculos - fica a cargo de cada um decidir que vale a pena.

A visão é incrível, mas recomendo que faça a visita nos últimos dias de viagem, quando você já terá visitado vários lugares e poderá tentar reconhecê-los de cima. E foi lá que eu desisti de conhecer o restaurante Giratório. Eu já havia passado em frente a ele e achei o prédio baixo se comparado a vários outros do bairro. Como eu já tinha visto a cidade de dois dos seus pontos mais altos, imaginei que seria um tanto quanto decepcionante jantar lá, especialmente porque já li que a comida não é das melhores.

Chile - Santiago - Neve na Cordilheira do Andes vista do Parque Metropolitano
Neve na Cordilheira do Andes vista do Parque Metropolitano

Chile - Santiago - Pôr do sol a partir do Sky Costanera
Pôr do sol a partir do Sky Costanera

Caminhando pelas ruas


Além da infinidade de parques e praças, Santiago possui ruas que são atrações por si sós. Tive oportunidade de conhecer qiatro dessas. A primeira foi a Calle Viña del Mar, que fica próxima ao Parque Bustamante. Eu não sei como se explica uma rua, não entendo nada de arquitetura, então, limito-me a dizer que é um lugar bonito.

Mais ou menos na metade da Calle Viña del Mar e perpendicular a ela, encontra-se uma entrada que parece a de um beco ou vila, mas trata-se da Calle José Arrieta, uma rua cheia de charme com suas casas coloridas e seus mosaicos na entrada. Talvez não valha a pena ir até lá para isso, mas a localização colabora, pois fica próximo à estação Baquedano e ao Barrio Bellavista, assim, passar por ali se torna indispensável.

Em outro ponto da cidade, próximo ao Centro, encontra-se o Barrio París-Londres, composto por duas ruas - Calle Paris e Calle Londres - cujas construções seguem o padrão europeu. É também um lugar muito bonito, bom para tirar fotos e de fácil acesso, entre as estações Santa Lucía e Universidad de Chile. Na Calle Londres, encontra-se um prédio que foi sede do Partido Socialista Chileno e funcionou como centro de tortura durante a ditadura de Pinochet. No chão próximo à porta, estão gravados os nomes dos mortos e uma placa em sua homenagem. Ao final desta mesma rua, estão a bela Iglesia San Francisco e o Museo Colonial de San Francisco, que também valem a visita.

Chile - Santiago - Calle Calle José Arrieta
Calle José Arrieta

Chile - Santiago - Calle Paris
Calle Paris

Absorvendo a cultura


Não sei se já deu para perceber, mas uma frustração minha com relação a essa viagem foram os feriados e o quanto os chinelos os levam a sério. Graças a eles, só tivemos dois dias úteis no país, e um deles, justamente a terça-feira, era o dia do passeio que fizemos para Valparaiso. Assim, dentre os vários museus existentes em Santiago, tive que contentar em visitar apenas dois deles, que estavam abertos no domingo de Páscoa e na segunda-feira seguinte.

O Museo Histórico Nacional conta toda a história do país de forma estruturada em suas diversas salas. Para quem gosta, há conteúdo suficiente para passar uma tarde inteira, especialmente se você adquirir o audioguia, que custa cerca de R$5 e está disponível em Português, Inglês e Espanhol. Eu não pude parar para observar as obras como gostaria, porque 1) acabou a pilha do meu audioguia e não havia outro disponível e 2) eu estava com dores nos pés, mas, ainda assim, gostei bastante e recomendo para qualquer um que goste de História.

O outro museu que visitei foi o já mencionado Museo Colonial San Francisco. Como o nome dá a entender, este museu tem forte conteúdo religioso/católico, e a maior parte do seu acervo é composta por imagens e pinturas de figuras católicas. Ao centro da construção, que possui apenas um andar aberto ao público, encontram-se várias árvores, pavões e uma fonte em que habitam pequenas tartarugas. Ao lado do museu, a Iglesia de San Francisco também merece uma visita, pois seu interior é muito bonito.

Chile - Santiago - Centro Histórico - Catedral
Centro Histórico - Catedral

Chile - Santiago - Museo Nacional de Bellas Artes
Museo Nacional de Bellas Artes

Chile - Santiago - Centro Histórico
Centro Histórico

No próximo post...

Mais uma vez, não foi possível mostrar tudo em um único post. Leia a terceira e - última parte - na próxima segunda-feira, quando vou contar sobre as casas de Pablo Neruda, o passeio em Valparaiso e os melhores lugares para fazer compras na cidade. Para mais fotos da cidade, não se esqueça de seguir o meu Instagram.

CONVERSATION

Back
to top