Santiago Para Leigos - Parte 3


Enfim, chegamos à última parte dos posts sobre a minha viagem a Santiago. No primeiro, eu dei algumas dicas práticas para quem quer conhecer o país; no segundo, contei sobre alguns dos lugares que visitei na capital. Como fiquei em um hotel muito bem localizado, a maior parte dos passeios que realizei foi nas províncias do Centro, Providência e Las Condes. Hoje, porém, quero ir um pouco mais longe. Vem comigo?

Conhecendo os arredores


Ao redor de Santiago há tantas atrações quanto dentro da cidade. De um lado, a imensidão da Cordilheira dos Andes, com suas estações de esqui. De outro, após passar pela Cordilheira Costal, o não menos majestoso Oceano Pacífico. Devido às restrições de tempo que já expliquei nos posts anteriores, tivemos que fazer escolhas difíceis e deixar de lado lugares que eu queria muito conhecer. Dentre as várias opções fora da capital, optamos pelo passeio em Valparaiso.

O passeio - a terceira parte de uma excursão que começou em uma vinícola e pela casa de Pablo Neruda na cidade - durou cerca de duas horas, durante as quais descemos a pé pelas ladeiras da cidade litorânea onde se localiza um dos mais importantes portos da América do Sul.

Valparaiso é uma graça, com suas casas coloridas, sua arte de rua, seus elevadores inclinados para ajudar na subida e até um escorregador. O único problema: Duas horas é pouco tempo. Não digo que não valeu a pena, pois valeu para conhecer um pouco da história e, como alguém que ama o mar, poder ter um vislumbre do Pacífico pela primeira vez na vida. Porém, se eu tiver a oportunidade de voltar, quero ficar o dia inteiro, parar nos lugares, talvez até dormir por lá e conhecer também a vizinha Viña del Mar.

Chile - Valparaiso - Plaza Sotomayor - Comandancia em Jefe de la Armada
Valparaiso - Plaza Sotomayor - Comandancia em Jefe de la Armada

Chile - Valparaiso
Valparaiso

Chile - Valparaiso
Valparaiso

Experimentando sabores


Mesmo para quem não gosta de vinho - meu caso - visitar uma vinícola é praticamente obrigatório no Chile. São várias delas ao longo do Vale de Casablanca, sendo Concha y Toro a mais famosa. A visita que fiz foi à Viña Emiliana, conhecida por sua produção orgânica. Em pouco mais de uma hora, a guia bilíngue (Espanhol-Inglês) nos contou a história da viña e, em seguida, nos levou à degustação.

Não há muito o que dizer, apenas que é um lugar muito agradável e ótimo para tirar fotos. Como estávamos em excursão, o tour que fizemos foi o mais simples, que inclui apenas a degustação das quatro taças mostradas acima. Outras opções incluem queijos e chocolates, o que eu certamente teria preferido.

Chile - Viña Emiliana
Viña Emiliana

Chile - Viña Emiliana
Viña Emiliana
Chile - Viña Emiliana
Viña Emiliana (by Alice Bertucci)

Entendendo Neruda


Vamos agora a uma das minhas partes favoritas da viagem: As casas de Pablo Neruda. Devo dizer que, além de ter assistido O Carteiro e o Poeta em algum em algum momento da minha adolescência, eu nada sabia sobre o poeta. Minha companheira de viagem, por outro lado, é apaixonada por ele e fazia questão de visitar ao menos uma de suas casas. Sem expectativas, me surpreendi e também me apaixonei assim que adentrei aquelas portas e conheci não só o gosto peculiar do poeta, mas também sua história, através dos audioguias.

São três as casas - La Chascona em Santiago, La Sebastiana em Valparaiso e Isla Negra em Isla Negra - das quais visitamos as duas primeiras. Ambas refletem o amor de Neruda pelo mar e possuem várias andares de cômodos dispostos de forma não ortodoxa, cheios de cores em suas decorações diversas. Parece louco, bagunçado, mas tudo faz sentido, tudo tem uma história.

Infelizmente, não é permitido fotografar no interior das casas e também não há muito material no Google, então, vocês vão ter que confiar em mim: Vale a pena, vale MUITO a pena.

Se quiser saber mais, visite o site da Fundación Pablo Neruda.

Chile - Santiago - La Chascona
La Chascona

Chile - Valparaiso - La Sebastiana
La Sebastiana

Fazendo compras

Já falei um pouco sobre as compras no primeiro post da série, agora vou falar sobre os lugares.

Como toda capital que se preze, Santiago tem um Mercado Central, onde é possível encontrar comidas roupas típicas, artesanatos e vários tipos de lembranças. O lugar é de fácil acesso, próximo às estações de metrô Bellas Artes e Cal y Canto, porém é preciso tomar cuidado com seus pertences para não ser roubado - manter a bolsa na frente, não usar celular na rua, esse tipo de cuidado que também costumamos ter nas capitais brasileiras. Lá comprei canetas e o globo de neve que agora adorna minha estante.

Com menos variedade, mas também bom para comprar lembranças é o Patio Bellavista, famoso pelos seus variados restaurantes. Lá você encontra lojas de artesanato, bijuterias e até cosméticos ou livraria. É um mini shopping de visita obrigatória para quem estiver hospedado na região. Falarei mais sobre ele daqui a pouco.

Partindo para os grandes shoppings, temos o Costanera Center, onde fica o mirante Sky Costanera, sobre o qual já falei. São seis andares de variadas lojas, incluindo farmácias e um supermercado. Não comprei nada lá, porque tinha planos de visitar também o Parque Arauco, um enorme complexo de compras, que possui desde as grandes lojas de departamento do país - Paris, Ripley e Falabella - até um Distrito de Lujo, com marcas que fazem a MAC parecer pobre. Foi lá que eu me esbaldei nos hidratantes para as mãos - inclusive, comprei marcas chilenas muito boas que devem aparecer no Instagram em breve - e onde paguei a metade do preço por produtos da Maybelline e L'oreal, que vocês já sabem estar entre as minhas marcas favoritas. Também foi lá, na Falabella, onde eu passei vergonha com um hidratante da Victoria's Secret que dispensou mais produto do que deveria quando eu queria apenas um pouco para testar nas mãos. 

O Parque Arauco é realmente muito grande e tem de tudo. Para melhorar, o local possui wi-fi gratuita, descontos para turistas e um ônibus da Turistik que leva e busca os turistas gratuitamente, mediante agendamento por telefone. Recomendo.

Chile - Santiago - Escultura Lá Búsqueda e Costanera Center visto do Parque Bicentenário
Escultura Lá Búsqueda e Costanera Center visto do Parque Bicentenário

Matando a fome


Eu falei um pouco sobre a comida do Chile na primeira parte e não tinha planos de tocar novamente neste assunto, porque falar de comida é chato e tedioso. Mas a Fernanda me pediu, pois por algum motivo que desconheço, ela acha que será engraçado, então aqui estou.

Bom, eu não cozinho, não sei muito sobre culinária e não como nada que eu não saiba o que é. Sempre leio todo o cardápio antes de tomar minha decisão, mas raramente fico em dúvida. Quando vou a algum restaurante conhecido, é normal que eu leia tudo, apenas para escolher o mesmo de sempre. Para azar de nós duas, eu estava acompanhada por uma pessoa aventureira, que lê o cardápio, mas depois pede a sugestão (ou sugerimiento) do garçom. Não sei como continuamos amigas depois disso, pois enquanto ela queria experimentar, eu queria comer sempre no mesmo lugar. Por fim, acabei cedendo e o único restaurante que repetimos foi o do hotel, mas também não comi nada estranho.

Minha missão particular era sempre encontrar algo que eu conhecesse e, como meu maior problema com comidas diferentes é a textura (sim, há uma pequena possibilidade de que eu tenha algum distúrbio de processamento sensorial, mas é tarde demais para buscar "tratamento), resolvi me refugiar nas saladas e sanduíches. Logo na primeira noite, comi salada de atum com ovo no hotel. No dia seguinte, uma deliciosa salada de frango com molho de tangerina no restaurante Mestizo e, alguns dias depois, foi a vez da salada de atum defumado no restaurante Tip y Tap do Parque Arauco. Essas duas foram minhas favoritas. Quanto aos sanduíches, recomendo os do 100 Montaditos, no Patio Bellavista, com sabores variados em pães de dez centímetros; tão pequenos quanto baratos, dá para pedir vários.

Para não dizer que não experimentei nada, depois de muito insistir, a Alice conseguiu me levar a um restaurante peruano, o Tambo, também no Patio Bellavista, onde comi lombo com molho de soja, legumes, arroz e batatas fritas. Não me arrependi. O prato é comum, mas o tempero peruano tornou a comida especial. Eu não gosto de nada com tempero forte, embora seja mineira e seja obrigada a comer. O tempero peruano, porém, me surpreendeu. Aquele prato era como uma música, tudo tinha seu lugar, tudo fazia sentido. Acabou se tornando também um dos meus favoritos.

Por fim, vamos falar da parte boa: Sobremesa! Como os pratos eram sempre muito grandes, consequência de não existir self-service na cidade, nem sempre eu estava disposta a comer doce, embora quisesse aproveitar ao máximo. Mas também tive outra dificuldade. Em meu primeiro dia, eu comi uma torta Tres Leches que, um mês depois, ainda me dá água na boca. Foi a melhor coisa que eu comi nesses seis dias de viagem e, juntamente com a salada de frango e a vista para o Parque Bicentenário, foi o que transformou o restaurante Mestizo em meu favorito da viagem. Veja fotos abaixo e mais no Instagram.

Chile - Santiago - Salada de frango ao molho de tangerina - Mestizo
Salada de frango ao molho de tangerina - Mestizo

Chile - Santiago - Torta Tres Leches - Mestizo
Torta Tres Leches - Mestizo

Chile - Santiago - Pátio Bellavista - Tambo - Culinária Peruana
Tambo - Culinária Peruana
 
Chile - Santiago - Parque Arauco - Tip y Tap - Salada italiana
Tip y Tap - Salada italiana

Fim

Infelizmente, nada dura pra sempre - nem a viagem, nem os posts. Obrigada a todos os que acompanharam a viagem, seja pelas fotos, pelo Twitter ou apenas pelos posts. Quero muito voltar a Santiago algum dia, conhecer tudo o que ficou faltando, porque essa não é uma cidade para se conhecer em apenas uma semana. Conhecê-la também fez crescer meu desejo de visitar outros lugares, viajar cada vez mais, não me restringir às facilidades de Sudeste e Sul do Brasil. Espero que venham muitas e muitas viagens, com muitas fotos, muitas compras, muitas comidas boas e muitos momentos para lembrar com um sorriso nos anos seguintes.

Já sonhando com a próxima viagem, desejo uma ótima semana de trabalho para todos.

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