3 livros para quem não está em clima de romance


O Brasil está em clima de romance. Não apenas hoje - oficialmente, Dia dos Namorados em um dos poucos países que ignora o Dia de São Valentim em fevereiro - mas nas semanas que antecedem a data, as ruas, as propagandas e a internet ficam insuportáveis para quem não tem o que comemorar ou, simplesmente, não gosta. Tem gente que sofre, tem gente que se revolta, tem gente que ignora - já fiz os três, às vezes no mesmo ano, então nem julgo. Desta vez, resolvi fazer diferente, vou aproveitar para indicar livros.

Livros são ótimos parceiros. Não vou mentir, os livros não vão te dar filhos (o que pode ser um ponto negativo, mas também pode ser uma ótima notícia), não vão te pagar um jantar e, sim, às vezes eles te decepcionam. Mas eles nunca vão te deixar sozinho. Livros te levam a viagens incríveis (e mais baratas que as viagens reais), te apresentam novos mundos e te fazem ter outra perspectiva sobre a vida real.

Um livro é sempre companhia bem-vinda. Se quiser experimentar um deles em vez de ficar chorando em posição fetal pelo(a) namorado(a) que não chegou na sua vida a tempo, preste atenção nessas três ótimas histórias, cujo foco não está no romance.

3 livros para quem não está em clima de romance



1 - O mágico de Oz (L. Frank Baum)


Dorothy é uma órfã que vive no interior do Kansas com seus tios. Inesperadamente, um ciclone a leva para uma misteriosa e fantástica terra, um lugar mágico e colorido, cercado por um deserto imenso e governado por um mago poderoso. Em seu caminho, Dorothy enfrenta muitos perigos como bruxas malvadas e monstros gigantes, mas conhece também três amigos incríveis que vão ajudá-la nessa jornada: um Espantalho que deseja um cérebro, um Leão que queria ser corajoso e um Homem de Lata que espera ganhar um coração. Os quatro se unem para encontrar o Mágico de Oz que, segundo dizem, pode realizar todos os seus desejos, e assim Dorothy poderá, finalmente, voltar à casa de seus tios. (Skoob)
Uma das minhas melhores leituras do ano até agora, O Mágico de Oz é uma história teoricamente infantil que consegue ser, ao mesmo tempo, incrivelmente simples e rica. Em seu prefácio, o próprio autor diz que não tem a intenção de trazer nenhuma lição ao final da história e, talvez, sua atitude despretensiosa tenha sido o segredo para uma história tão cativante. Foram 192 páginas, na edição mais recente da Leya, em que me envolvi na jornada da pequena Dorothy e seus amigos, torcendo para que eles encontrassem o que buscavam - ou percebessem o que já tinham. Em especial, o Homem de Lata, versão literal de todos os mocinhos feridos pelos quais já me apaixonei na ficção, deixou meus olhos úmidos e meu coração quentinho.

Estando você sozinho ou em um relacionamento, O Mágico de Oz é a opção perfeita para quem quer se encontrar na vida real, cujos caminhos certos nem sempre são demarcados por tijolos amarelos.

2 - Amigas para sempre (Kristin Hannah)


Tully Hart tinha 14 anos, era linda, alegre, popular e invejada por todos. O que ninguém poderia imaginar era o sofrimento que ela vivia dentro de casa: nunca conhecera o pai, e a mãe, viciada em drogas costumava desaparecer por longos períodos, deixando a menina aos cuidados da avó. Mas a vida de Tully se transformou quando ela se mudou para a alameda dos Vaga-lumes e conheceu a garota mais legal do mundo. Kate Mularkey era inteligente, compreensiva e tão amorosa que logo fez Tully sentir-se parte de sua família. Ao longo de mais de trinta anos de amizade, uma se tornou o porto seguro da outra. Tully ajudou Kate a descobrir a própria beleza e a encorajou a enfrentar seus medos. Kate, por sua vez, a ensinou a enxergar além das aparências e a fez entender que certos riscos não valem a pena. As duas juraram que seriam amigas para sempre. Essa promessa resistiu ao frenesi dos anos 1970, às reviravoltas políticas das décadas de 1980 e 1990 e às promessas do novo milênio. Até que algo acontece para abalar a confiança entre elas. Será possível perdoar uma traição de sua melhor amiga? Neste livro, Kristin Hannah nos conta uma linda história sobre duas pessoas que sabem tudo a respeito uma da outra – e que por isso mesmo podem tanto ferir quanto salvar. (Skoob)
Esta não é apenas a história de um relacionamento não romântico, mas é sobre a vida dessas duas mulheres tão diferentes que encontraram na outra uma parceira para toda a vida. Ao longo de quatro décadas, muita coisa acontece. Kate e Tully crescem, deixam de ser as garotas que desciam a Alameda dos Vaga-lumes em suas bicicletas de madrugada, se tornam as mulheres que suas diferentes decisões as destinaram a ser. É bonito acompanhar esse crescimento e a escrita de Kristin Hannah me transportou para dentro da história, levando-me às lágrimas várias vezes.

Esse é um livro para quem sabe - ou quer descobrir - o valor de uma verdadeira amizade e como duas mulheres podem se tornar mutuamente mais fortes em cada momento de suas vidas. Também é um livro sobre perdão e sobre aqueles sentimentos ruins que, às vezes sem querer, deixamos crescer escondidos dentro de nós. É sobre se perdoar e aceitar as próprias escolhas, sobre amar a pessoa em que você se tornou e que nem sempre será quem você planejou ser.


3 - O grande mentecapto (Fernando Sabino)


O Grande Mentecapto é um romance do escritor brasileiro Fernando Sabino publicado em 1979; narra as aventuras de Geraldo Viramundo, espécie de Dom Quixote brasileiro, que percorre Minas Gerais. O início do livro mostra que Geraldo foi um menino como qualquer outro, tivera suas maluquices e peraltices, porém a história se desenvolve a partir das consequências de uma aposta entre Viramundo e seus amigos de que conseguiria fazer o trem parar em seu município, já que Rio Acima (a cidade do menino) não era originalmente ponto de sua parada. A narrativa apresenta diversas referências quixotescas, e de modo cômico e emocionante retrata como a vida pode surpreender quando menos se espera. (Skoob)
Com uma narrativa que varia entre dramática, zombeteira e sarcástica, Fernando Sabino, cujas crônicas me acompanharam durante vários anos na adolescência, criou um personagem tão rico em sua simplicidade que torna impossível não sentirmos empatia.

Viramundo, o grande mentecapto, não é apenas um personagem de livro, é um personagem da vida. Ele poderia ser o velho com cara de Albert Einstein, que ficava fazendo cálculos na sorveteria que eu frequentava aos 12 anos; poderia ser o moço que passa vendendo bala no ponto do ônibus e que está sempre com um sorriso no rosto; poderia ser o meu pai, que conheceu a América do Sul vendo o Cruzeiro jogar.

Ele é marcante e comum, esperto e inocente, maduro e infantil, sensato e louco, tudo ao mesmo tempo. É impossível não se afeiçoar a Viramundo, não querer entender o que se passa pela cabeça dele, não torcer para que dê tudo certo e, à sua maneira torta, ele seja feliz. É impossível não sentir um nó na garganta ao perceber que alguma coisa ruim vai acontecer com ele. É um personagem que me levou a olhar com outros olhos os viramundos da vida real.

É um livro para quem está passeando pela vida sozinho. Que, talvez, até queira uma companhia, mas que está confortável fazendo companhia a si próprio. E para quem quer compreender todas as outras almas, solitárias ou não, que cruzam o seu caminho.

No final das contas, são três livros que te distraem ao mesmo tempo em que te levam a pensar, a se descobrir, a se tornar alguém melhor para o seu próprio bem. Como eu disse, ótimos parceiros hoje ou em qualquer outro dia.

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