9 séries para maratonar no hiato


Já estamos no meio de Julho, o que significa que a maioria das nossas séries favoritas ainda está no período de hiato - e já deu para assistir a todos os episódios, para aqueles de nós que assistem mais do que o nossa vida agitada permite. Ao mesmo tempo, o inverno resolveu vir com tudo este ano, o que aumenta ainda mais a vontade de ficar em casa namorando a Netflix.

Para quem não está empolgadíssimo com a estréia da nova temporada de Game of Thrones, ou até para quem está, mas ainda não pôde assistir e precisa parar de pensar nisso enquanto foge dos spoilers, hoje eu trago a dica de 9 séries que valem a pena assistir e colocar em dia antes de começar a Fall Season. São todas séries relativamente novas, com poucas temporadas ou poucos episódios por temporada. Como a maioria tem episódios curtos, você não vai gastar muitas horas da sua vida e talvez até queira acompanhar várias.

Confiram, agora, minhas indicações para vocês!

9 Séries para maratonar no hiato


1 - Superstore



Superstore se passa quase inteiramente em uma loja de departamentos, a Cloud 9, onde trabalha a protagonista Amy (America Ferrera). Ela é uma pessoa séria e fechada, ao contrário de Jonah, o novo funcionário, que é falante, otimista e ligeiramente irritante. Com eles trabalham dezenas de outras pessoas com as mais diversas personalidades, o que, obviamente, acaba gerando muitos conflitos.

Essa não foi uma série que me ganhou de primeira, pois levou alguns episódios para entrar no tom certo. Depois disso, fica impossível não gostar dos personagens e não se divertir com as suas peculiaridades. Fãs de The Office e Parks and Recreation dizem que o humor de Superstore é parecido com o das duas - que eu não assisti, mas, com essa comparação, chego a me interessar. É um humor que se baseia em coisas simples e cotidianas, uma série que ri de si mesma, mas que também sabe falar de coisas sérias sem ficar chata.

Lembro-me em especial de um episódio da segunda temporada que tratou de assédio e conseguiu, ao mesmo tempo, colocar em pauta um assunto importante e criticar os exageros politicamente corretos que costumam acompanhar essas discussões. Na mesma temporada, o último episódio conseguiu algo que sempre eleva a minha consideração às comédias: Me fez chorar. Isso mesmo, não são só os dramas que sabem fazer tragédias. Ao contrário, elas podem se tornar muito mais impactantes quando você não está esperando que uma comédia as trate com tanta seriedade. Muito bem feito, Superstore! Agora, só me resta esperar.

2 - Younger



Com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, não deve ser fácil encontrar um bom emprego depois de quase vinte anos dedicando-se exclusivamente à família. É isso que Liza Miller (Sutton Foster) descobre quando seu casamento termina. Mas ela também descobre que não aparenta a idade que tem e poderia se passar por uma jovem de vinte e sete anos em vez dos seus reais quarenta.

Younger é uma dramédia que mostra a loucura de Liza ao inventar tamanha mentira e como ela passa a viver sempre com medo de ser descoberta, ao mesmo tempo em que se preocupa com as questões normais de seu trabalho como assistente em uma grande editora. As situações mais engraçadas vêm de duas fontes principais: A adaptação da personagem a um estilo de vida muito diferente do que está acostumada e os vários autores cheios de personalidade e manias (incluindo uma versão de GRRM que também escreve ficção erótica sob um pseudônimo feminino).

Já o drama fica por conta do dilema de Liza e como ela enfrenta as consequências dos seus atos. Confesso que nem sempre concordo com a personagem, ela comete muitos erros, mas a série é boa em mostrar que nenhum deles vai ficar impune.

A partir da segunda temporada, os personagens coadjuvantes começaram também a ganhar suas próprias histórias, o que, na minha opinião, fez com que a série melhorasse muito ao não precisar se apoiar apenas na protagonista (por mais que eu realmente goste da Sutton).

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3 - Grace and Frankie



Grace and Frankie é a filha subestimada da Netflix, em meio a tantas grandes produções. A dramédia, centrada nas duas senhoras que lhe dão nome, fala sobre como essas duas mulheres, que antes se odiavam, acabam se tornando a família uma da outra quando seus maridos assumem que estão em um relacionamento amoroso há décadas.

É uma série para te fazer rir, chorar, ficar com raiva e pensar na vida, pois ela nos oferece um ponto de vista que não costuma ser muito explorado, o de uma terceira idade que não se resume a fazer almoço para os netos aos domingos. Grace and Frankie resgata a dignidade dos idosos falando de sentimentos, de trabalho, de sexo, de tudo aquilo que é normal para nós e que também pode ser para eles.

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4 - The Good Place



A esta altura, todos os leitores do blog já devem saber que eu não resisto a pessoas horríveis. Em The Good Place, Eleanor Shellstrop é uma pessoa horrível e está ciente disso. Ela não se importa com ninguém além de si própria, ela mente, ela passa por cima de quem for preciso. Eleanor Shellstrop também é uma advogada humanitária brilhante e altruísta, que sacrifica sua vida em prol dos que necessitam dela.

Eleanor Shellstrop e Eleanor Shellstrop não são apenas homônimas, elas também morrem no mesmo dia, causando uma confusão no Além. Assim, a má Eleanor (Kristen Bell) abre os olhos e descobre que passará a eternidade no Lugar Bom, cercada por pessoas maravilhosas cujas boas ações  em vida superaram as más em um sistema de pontos fascinante.

Sarcástico e cheio de referências atuais, o humor da série me remete aos primeiros anos de Gilmore Girls. Sua estrutura, porém, é quase a de uma mini novela, com revelações ao final de cada episódio. Muito inteligentes, os roteiristas optaram por não esperar até o final da temporada pelas guinadas que os fãs de séries já aprenderam a esperar - elas podem ocorrer, e ocorrem, a qualquer momento. Isso, ao mesmo tempo em que aumenta a curiosidade, também mantém o ritmo da história estável, até que a season finale lançou uma reviravolta ainda maior. A segunda temporada, já marcada para estrear em 28 de setembro, deve começar com um mundo de possibilidades a ser explorado e que - eu espero - pode dar à série uma vida longa e próspera.

5 - Speechless



Sempre pensei que as comédias familiares contemporâneas não fossem a minha praia, até que uma delas (vide item #7) colocou em dúvida essa questão. Foi Speechless, porém, que me deu a resposta esperada: Sim, uma comédia pode ser muito divertida ao focar em uma família normal, vivendo situações comuns de uma forma tragicômica que muitos de nós - eu, inclusive - conhecemos de nossas próprias realidades.

A família Dimeo é formada por Maya, Jimmy e seus três filhos, JJ, Ray e Dylan. O ponto de partida para a história é a paralisia cerebral do primogênito JJ. Porém, a série não gira apenas em torno dele e, talvez, tenha sido isso o que mais me atraiu. São poucos personagens e cada um tem seu espaço para crescer, incluindo Kenneth, contratado no primeiro episódio para ser a voz de JJ na escola, e que acaba se tornando um Dimeo honorário.

Algo que me chamou a atenção desde os primeiros episódios foi o quão imperfeitos todos esses personagens são e o fato de que eles estão cientes disso. Eles só querem viver uma vida normal, mesmo com todos os preconceitos e dificuldades que enfrenta um portador de necessidades especiais. Maya (Minnie Driver), que brilha desde a primeira cena, é a estrela da família, mas todos têm seu destaque e seus conflitos, não é aquela coisa chata e didática demais que se poderia esperar de uma série com essa temática. Assim como Superstore, o humor de Speechless foca no cotidiano; e, assim como Grace and Frankie, esse cotidiano é mostrado por um ponto de vista diferente, mas que acaba sendo mais parecido com o nosso do que poderíamos esperar.

6 - Designated Survivor



Designated Survivor é uma série que me deixou com os dois pés atrás, por se tratar em um drama da ABC, que tem se empenhado em estragar as histórias cada vez mais rápido. Felizmente, não sei se por sorte, pela presença forte do eterno Jack Bauer ou pelo envolvimento da Netflix, minhas expectativas baixas resultaram em uma ótima surpresa: A série conseguiu fugir dos exageros, venceu as dificuldades de meio de temporada e segurou vinte e um episódios (alguns ótimos, outros não tão ótimos, porque ninguém é perfeito) contando a história de Tom Kirkman ao se tornar presidente dos Estados Unidos quando todos os que estavam acima dele na linha de sucessão morrem em um atentado.

Despreparado para tamanha responsabilidade, Kirkman tem que enfrentar não apenas os problemas normais que recaem sobre o governante da maior nação do mundo, mas lidar com a crise resultante do atentado e resistir à oposição que questiona sua legitimidade como presidente. Para isso, ele tem o apoio da mulher Alex (Natascha McElhone), do chefe de segurança Mike (LaMonica Garrett) e do maravilhoso trio formado por seu chefe de gabinete Aaron (Adam Canto), sua assistente e conselheira de longa data Emily (Italia Ricci) e seu assessor de imprensa Seth (Kal Penn). Em paralelo, os agentes do FBI Hannah (Maggie Q) e Jason (Malik Yoba).

O elenco é todo muito bom e, pelo meio da temporada, eu percebi uma coisa que raramente acontece: Eu realmente gostava e me importava com todos eles. É comum que eu tenha um outro personagem que não suporto ou que simplesmente não faz diferença, mas, neste caso, eu torci por todos eles - e sofri com a perda de alguns. Dá gosto ver essas pessoas interagindo, sua lealdade e seus esforços e eu espero, de todo coração, que a emissora não estrague tudo outra vez.

7 - Life in Pieces



Mais uma comédia familiar, Life in Pieces chamou a minha atenção pelo formato de quatro histórias curtas por episódio, uma ótima estratégia para segurar quem se distrai facilmente, mas acabou abrindo a porta para outras comédias familiares, como Speechless, na minha vida.

John e Joan Short têm três filhos - Heather, Matt e Greg - e cada história foca em um núcleo. Heather tem três filhos e não está preparada para vê-los crescer. Greg acabou de ter um bebê com sua esposa, a advogada Jen. Já Matt é divorciado, mora na garagem dos pais e namora a chefe. São quatro realidades diferentes, garantindo que a série não caia na monotonia ao focar em apenas alguns personagens.

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8 - You're the worst



You're the Worst é a série sobre a qual vocês não me aguentam mais me ver falando, eu sei. Mas vou continuar, pois, como o próprio nome diz, é uma série de Pessoas Horríveis às quais já me apeguei, tornando-a uma das minhas favoritas de todos os tempos.

Esta é uma série para pessoas danificadas e machucadas, pessoas que conseguem se colocar no lugar dos personagens e, ainda que com certa vergonha, assumir que talvez sejam capazes de fazer as mesmas coisas horríveis. São personagens que vêem o pior do outro, mas que escolhem continuar ali, reconhecendo que, assim como os brutos, os quebrados também amam.

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9 - This is us



Enfim, chegamos ao melhor do melhor da temporada 2016-2017. Se você acompanha notícias sobre o mundo das séries, você ouviu falar em This Is Us.

Eu amo tanto essa série que fica até difícil falar sobre ela. É sobre família, mas não é comédia. É drama, mas não é tragédia. É uma história sobre a vida e, como vocês já devem ter percebido, essas são minhas favoritas.

A história começa focando nos três núcleos da foto e quatro pessoas unidas pela data de nascimento. Primeiro, temos Rebecca (Mandy Moore), grávida de trigêmeos que entra em um difícil trabalho de parto no dia em que seu marido Jack (Milo Ventimiglia) completa 36 anos. Também completando 36 anos estão os irmãos Kate e Kevin. Ela, dócil e vivendo para servir ao irmão, enquanto luta sem sucesso para perder peso. Ele, ator bonito e bem-sucedido, precisa provar a si mesmo que sua vida significa mais que tirar a camisa para as câmeras. Por último, Randall celebra seu trigésimo sexto aniversário apresentando-se ao pai biológico que o abandonou quando bebê. Ao final do piloto, as três histórias se conectam de forma brilhante e revelam o segredo que torna a série especial.

This is Us é todos nós. É um drama sobre a vida, cheio de altos e baixos, com lágrimas e sorrisos. Em tempos de produções cheias de efeitos e guerras, esta é uma série para nos lembrar que, assim como é possível fazer boas comédias com situações cotidianas, também é possível fazer drama. Eu nunca vi de perto um atentado terrorista, mas já sofri com amigos que perderam um dos pais. Não virei presidente de um dia para o outro, mas sei como é a sensação de não se sentir realizada em um emprego que deveria ser ótimo. Não convivo com filhos bastardos de reis que lutam pelo seu trono, mas conheço famílias que não são menos famílias porque uma das pessoas não tem o mesmo sangue.

É isso o que eu espero dos dramas, que sejam realistas, que foquem nas pessoas. Eu prefiro chorar porque a máquina de lavar estragou a ter dezenas de mortes por temporada, porque o que eu quero é me identificar, é sentir a dor dos personagens. Se eu tivesse que definir This is Us em uma palavra, esta seria delicadeza, porque é assim que os temas são tratados. Sem grandes acontecimentos, sem viradas forçadas, apenas um grupo de pessoas vivendo a vida, como eu e você e é a sua simplicidade (somada à atuações impecáveis e uma trilha sonora deliciosos) que transformou esta novata no melhor drama que eu já assisti.

Estas não são as únicas séries que eu assisto, há várias outras, mas se há uma coisa que seriador não tem é limite. No momento, estou vendo apenas quatro: A quinta e última temporada de Orphan Black, a quarta de Younger, o rewatch de The Big Bang Theory (que intercalei com rewatches de Friends e How I Met Your Mother e só faltam alguns episódios para chegar ao fim) e La Reina del Sur para treinar o Espanhol. Também vi o piloto de Friends From College, mas não tenho certeza se vou continuar.

Como o tempo passa cada vez mais rápido, Setembro logo chega com todas as novas temporadas. Enquanto isso, me diga: Quais séries você me indica para ficar em dia durante o hiato? Meus comentários e redes sociais estão sempre abertos a sugestões.

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