Insane Inflatable 5k 2017 - Eu fui


Quando eu era criança, meus pais gostavam de me levar para brincar em parques de diversão. Todos nós gostávamos mais de piscinas - já que Minas Gerais não tem praia - mas, quando não íamos ao clube, íamos ao parque. Tenho várias fotos no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, o mais famoso parque de Belo Horizonte, e algumas lembranças de visitas ocasionais a outros lugares. Em uma dessas lembranças, eu estou sentada em um pula-pula daqueles infláveis, com um garoto pulando feliz ao meu lado. Meus pais me observavam do lado de fora e me incentivavam a pular também, mas eu estava com medo - aquele garoto era assustador. Por fim, meu pai abriu a porta do brinquedo e me tirou de lá. Nunca mais entrei em um brinquedo daqueles.

Corta para 2017. Foi nesse pula-pula que eu pensei quando fiquei sabendo da Corrida Insana, um percurso de 5 quilômetros com 10 obstáculos infláveis gigantes.

Aos 31 anos, eu não sou muito menos medrosa do que era aos 5, a única diferença é que, agora, tomo decisões racionais, corro riscos calculados e, graças ao Pilates, tenho um pouco mais de força e equilíbrio. Mas continuo com medo de cair e, principalmente, medo de altura. Eu também não sou adepta de corridas. Pelo contrário, deixando o eufemismo de lado, eu odeio correr. E estou ciente de que não tenho o perfil físico para participar desse tipo de coisas. Eu não sou e nem quero ser "fitness"; já quis, mas hoje tenho aversão a essa palavra bonita que esconde uma obsessão a meu ver tão prejudicial quanto a bebida ou o cigarro.

Porém, antes de qualquer coisa, eu sou uma mulher que nasceu no final dos anos 80. O que isso tem a ver com a corrida de obstáculos infláveis? Tudo. Passe algum tempo na internet e você logo perceberá que ninguém consegue ser tão nostálgico com a própria infância quanto os "oitentistas". Alguns de nós ainda gostam de bonecas, outros guardam seus carrinhos, muitos (eu inclusive) gastam uma parte de seu precioso e escasso tempo assistindo vídeos de músicas ou programas antigos no Youtube. Minha mãe vende bolos no pote e, apesar de ter vários outros sabores deliciosos, o primeiro que eu procuro quando quero algum é o de abacaxi com coco, porque esse era o sabor predominante nas festas de aniversário do ano em que eu nasci até meados da década de 90. Se lembra a infância, nós consumimos.

Foi assim que, algumas horas depois de ver aquele primeiro anúncio, eu (junto com minha irmã do meio e meu cunhado, ambos nascidos em 1989) me inscrevi para uma corrida de 5 quilômetros com 10 obstáculos infláveis gigantes.

E vamos falar da corrida, pois eu sei que ninguém abriu o link para me ver divagando.

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A Insane Inflatable 5k foi minha primeira experiência com corridas e pouco depois de me inscrever, conversei com minha professora de Pilates para que ela me ajudasse a trabalhar as habilidades e os músculos de que eu iria precisar. Focamos principalmente nos meus joelhos, que já começaram a me cobrar por todos os tombos que levei na vida e todos os anos em que não tive paciência para esperar o elevador chegar. Embora tenha me preparado o máximo possível, eu me arrependi, pelo menos, três vezes.

A primeira foi na semana anterior. Eu sempre me arrependo das coisas na semana anterior, que é quando as emoções tentam me fazer decidir - por isso não deixo que elas tomem minhas decisões. A segunda foi na véspera, quando percebi que precisaria levantar cedo em um sábado. A terceira foi depois de passar pelo primeiro obstáculo.


Eu adoraria dizer que não pensei que fosse morrer sem ar logo no primeiro obstáculo, mas seria mentira. Não acredite quando dizem que o primeiro é o mais fácil, pois pra mim foi o mais difícil. Eu não tinha um ponto de referência para me planejar, apenas duas ou três dezenas de degraus infláveis para escalar e um alto escorregador para descer depois (e eu tenho medo de altura, mantenham isso em mente). Para piorar, o tempo naquela manhã era típico do inverno no cerrado belo horizontino: Céu aberto, sol forte e baixa umidade do ar. Se fazendo as minhas atividades normais já era difícil respirar, imagina para vencer aquela subida sem apoio?

Felizmente, melhorou nos obstáculos seguintes. O susto inicial passou e já ter uma ideia do que eu conseguiria ou não fazer me deixou mais tranquila. O segundo obstáculo era um colchão ondulado, e o terceiro, um colchão com buracos, parecido com um campo minado (a ideia era passar por cima do colchão sem cair, mas todos no meu grupo entendeu errado e fomos pisando nos buracos).


Depois de passar por esses dois obstáculos mais fáceis, tomar um copo de água gelada e comer uma barra de cereal que levava na bolsa, eu me sentia bem melhor e já estava aproveitando mais tudo aquilo. Ainda acho que não me diverti tanto quanto poderia, mas, pelo menos, o arrependimento já havia passado. Temporariamente.

Em retrospecto, eu acho que o quarto obstáculo foi o mais divertido, mas também foi nele que o meu cunhado teve que voltar para me buscar, porque eu estava tentando convencer uma mulher a pular pela lateral comigo, uma parede inflável com mais ou menos a minha altura no lado externo. Sim, isso aconteceu. O começo do inflável parece um túnel com duas subidas leves e cilindros com aproximadamente meio metro de diâmetro posicionados a diferentes alturas, das quais tínhamos que desviar - por cima ou por baixo. Até aí, tudo bem. Entretanto, a segunda parte era outra subida, mais íngreme que a primeira, na qual as pessoas precisavam de cordas para subir e foi ali que eu congelei. Se o primeiro obstáculo foi difícil, eu realmente não conseguia me mover para sustentar todo o peso do meu corpo com os braços em uma corda. Acabei conseguindo, porque as alternativas incluíam, além da parede lateral, voltar contra o fluxo ou ficar ali parada por mais sete horas até a corrida terminar - não gostei de nenhuma opção.


Depois desse sufoco, os organizadores foram gentis e nos levaram para uma subida menos íngreme, com obstáculos como bolas e cilindros pelo caminho. Foi neste obstáculo que eu sofri minha única queda não proposital, graças a uma moça que se apoiou em um cilindro inflável e caiu em cima de mim. Felizmente, ninguém se machucou. Este também foi muito divertido e talvez - talvez - a queda involuntária tenha sido útil para me deixar mais tranquila, já que a maioria das outras pessoas estava caindo, pulando e, possivelmente, se divertindo mais do que eu.


Optei por pular o sexto obstáculo, porque a subida era com escadas - além das escadas do próprio Mineirão - e eu não quis estressar ainda mais os meus joelhos. Foi uma boa escolha, pois uma longa caminhada nos esperava. Segundo os marcadores ao longo do caminho, a distância até o obstáculo seguinte era superior a 2 quilômetros. O que nós não sabíamos é que essa caminhada nos levaria à melhor parte do percurso.

Todo brasileiro apaixonado por futebol já deve ter sonhado em pisar no gramado de um grande estádio e a Insane Inflatable nos deu essa oportunidade. Não pisamos no gramado oficial, mas pudemos caminhar ao redor, onde dois infláveis estavam posicionados atrás das traves.



O sétimo obstáculo consiste de bolas gigantes. A caminhada é no chão, se não tiver muita gente lá dentro, você pode passar rapidamente sem bater em muitas delas. Mas você também pode se divertir rebatendo as bolas com dezenas de estranhos.

Do outro lado do campo, o oitavo obstáculo eram mais um colchão irregular, onde é impossível não pular - minha irmã quicou de um lado para o outro como criança. Infelizmente, eu consegui a proeza de distender o meu polegar da mão direita ao subir no colchão (dedo que já estava dolorido de um episódio semelhante, porém menos intenso, em um dos obstáculos anteriores) e não aproveitei tanto, mas esse é um dos melhores obstáculos para esquecer a suposta "corrida" e aproveitar com os amigos.


O penúltimo obstáculo foi outro que optei por não fazer, por dois motivos: Primeiro porque meu dedo distendido doía muito e eu queria que melhorasse um pouco antes de encarar o desafio final. Segundo, porque o inflável era muito parecido com um dos anteriores. Assim, fui ao posto de atendimento médico e segurei uma luva com gelo derretido por alguns minutos.

Ainda com dor, sofri muito no último obstáculo. Embora comece leve, com algumas bolas e cilindros para desviar, a subida com corda é bem íngreme e dei o azar de chegar junto com um grupo grande, que balançava e desestabilizava o inflável. Some a isso o fato de este ser o final de um percurso que, para mim, já durava uma hora e meia, com sol quente, baixa umidade e pouca hidratação. Foi difícil e pensei em desistir várias vezes, mas continuei porque queria ganhar a medalha - o primeiro e o último obstáculos são os únicos dos quais não se pode fugir.


Nem senti a descida, apenas fiquei aliviada quando pus meus pés no concreto e vi que tinha terminado.

O que foi bom

  • Não vou negar que eu reclamei várias vezes durante a prova e disse que nunca mais voltaria. Mas a verdade é que, se tudo der certo, eu estarei lá novamente no próximo ano e ainda levarei os amigos que perderam desta vez. É sofrido, mas é divertido e eu quero me divertir mais, já sabendo como funciona.

O que não foi bom

  • Em todo o percurso, havia apenas dois pontos de hidratação, o que achei absurdo. Já respondi à pesquisa de feedback enviada pela organização da corrida e enfatizei esse ponto, pois é impossível percorrer 5 quilômetros com apenas 2 copos d'água em um país como o Brasil.

Dicas

  • Não se esqueça que são 5 quilômetros. Parece uma dica boba, mas todas as pessoas com quem conversei depois se surpreendeu por não ter um obstáculo atrás do outro. A verdade é que, no percurso de BH, feito na Esplanada e gramado do Mineirão, a distância entre um e outro variou de 200 metros a 2 quilômetros, alguns incluindo escadas no meio do caminho.
  • Se possível, use calça comprida, pois os infláveis esquentam muito com o sol e vi algumas pessoas reclamando.
  • Alongue, alongue bem antes da prova. Não espere apenas pelo alongamento obrigatório na saída. Em alguns obstáculos, ter um bom alongamento compensou minhas outras limitações e me ajudou muito.
  • Hidrate-se! Principalmente se você estiver em uma cidade onde faz muito calor ou que tenha o tempo seco como BH.
  • Alimente-se antes da prova. Veja com antecedência quais as opções de alimentação no local da sua prova e, se necessário, leve alguma coisa de casa.
  • Não leve nada nas mãos ou nos bolsos, pois a chance de você perder seus objetos é muito grande. Se você tiver uma braçadeira, aí sim, leve seu celular e tire muitos fotos; do contrário, é cilada. No máximo, prenda à roupa algo para comer.
  • Não se preocupe com o tempo. A corrida não é cronometrada e você só precisa chegar para ganhar a medalha. Divertir-se é mais importante que ser rápido.
  • Não tenha vergonha de não conseguir. Se você acha que um obstáculo será difícil demais para você, passe direto.

Por fim, caso não tenha ficado claro, a corrida foi, sim, uma experiência positiva. Se você leu sobre ela e ficou com vontade, mas está em dúvida, eu recomendo que participe, sim. A Insane Inflatable 5k 2017 já esteve em Goiânia, Belo Horizonte e Blumenau, mas passará por várias outras cidades em todo o Brasil pelos próximos meses. Entre no site www.corridainsana.com.br e descubra quando ela estará perto de você. Depois, claro, não se esqueça de voltar e me contar tudo sobre a sua experiência.

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