Bons ares argentinos - Parte 2


Na semana passada, eu contei um pouco sobre a minha viagem recente a Buenos Aires. Hoje, quero falar um pouco sobre os bairros que visitei na cidade.

A capital argentina possui bairros bem característicos e eu gostaria de ter tido mais tempo para explorá-los. Quatro dias não é o bastante para conhecer uma cidade, espero ter tomado as melhores decisões. Como eu disse no post anterior, eu e minha amiga contratamos um receptivo, o Ondas Buenas e, além de todo o apoio durante a viagem, algo que nos ajudou muito a organizar nossa agenda foi ter um mapa dividido por regiões. Como a cidade é plana - um alívio para mineiros que não conseguem andar um mísero quilômetro sem subir e descer ao menos um morro - é fácil andar a pé em cada região para conhecer o maior número de lugares possível.

Centro

Ficar no centro foi a melhor escolha que poderíamos ter feito. O único ponto negativo foi não poder dormir com as janelas abertas, pois mesmo do sexto andar dava para ouvir o barulho embaixo, dado que a região é sempre movimentada (imagino que teríamos aproveitado ainda mais a boa localização se quiséssemos sair à noite).

No centro, as ruas são atrações próprias. Quatro, em especial, merecem ser mencionadas.

A primeira é a famosa Florida, uma rua fechada e que concentra todo o tipo de comércio. Qualquer coisa que você precisar, você vai encontrar na Florida. E ali também estão as Galerias Pacífico, o principal shopping da cidade e que também é uma atração à parte, com sua bela cúpula central.

Perpendicular à Florida está a Corrientes, avenida que é considerada a Brodway argentina. São vários quarteirões de teatros após teatros e sua própria calçada da fama, com os nomes de artistas da região. Em seu cruzamento com a Avenida Nueve de Julio encontra-se o famoso obelisco de Buenos Aires, cercado por painéis que lembram propositalmente a Times Square.

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As outras duas ruas são a Diagonal Sul e Diagonal Norte. Ambas saem da Plaza de Mayo e possuem a peculiaridade de que todos os seus prédios têm a mesma altura. Eu gostaria de ter tirado fotos ali, pois é uma vista belíssima para pessoas perfeccionistas.

A simetria nas ruas ameniza um pouco o ataque ao perfeccionismo cometido pelo prédio mais importante da cidade, a Casa Rosada. Originalmente, eram dois prédios, o que tornou a sede do governo argentino notavelmente assimétrica.

Casa Rosada - Buenos Aires - Argentina
Casa Rosada
Também na Plaza de Mayo estão outros prédios importantes e museus, como o Museu do Bicentenário e o Cabildo. Ambos terão que ficar para minha próxima viagem.

Atrás da Casa Rosada, encontra-se a orla do porto, de onde se pode ver o bairro de Puerto Madero, cujos prédios modernos formam um contraste interessante com as construções históricas tão comuns no centro. Na orla encontra-se o Museo Fragata Sarmiento, um barco que conta sua própria história. Quem me segue no Instagram deve ter acompanhado as várias stories que postei de lá, já que fotos não eram o suficiente.

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Andando um pouco mais, chegamos ao prédio mais impressionante que visitei. Construído para ser a sede dos correios, o Centro Cultural Néstor Kirchner demonstra perfeitamente a mania de grandeza portenha. Por fora, o prédio combina com seus arredores históricos. Por dentro, parece ainda maior e me deu a impressão de estar na sede do governo de algum filme distópico adolescente, como Divergente ou Jogos Vorazes. Infelizmente, é tudo tão grande que minha câmera não conseguiu capturar a sensação de andar por aqueles corredores e visitar aquelas salas, mas o Google pode ajudar.


Palermo

Não apenas um bairro, mas um conjunto deles - tem Palermo para todos os gostos. O que eu visitei foi a região conhecida como Bosques de Palermo. É lá que se localizava o antigo e famoso Zoológico de Buenos Aires, que encerrou suas atividades em 2016 e será transformado em um parque ecológico.

Para passear por essa região, você realmente precisa gostar de andar, pois foi um dos dias mais cansativos da viagem. Ali, as ruas são mais bonitas e arborizadas, mas também mais largas - cheguei a contar 14 faixas em uma avenida de mão única.

Nossa primeira parada foi no Rosedal, um lugar incrível para quem gosta de flores e paisagens bonitas. São rosas de todas as cores e tamanhos, no centro de um parque muito agradável e de entrada gratuita, onde eu passaria o dia se não tivesse outros lugares para visitar. (Mais fotos no Instagram.)

El Rosedal - Buenos Aires - Argentina
El Rosedal
Saindo de lá, fomos ao Jardim Japonês, mas não sem antes passar um aperto com as direções, pois o GPS do celular não conseguia reconhecer o local exato em que estávamos. Assim, recomendo estudar bastante o caminho antes de sair.

O Jardim Japonês é menor e pago (95 pesos). Não fica no topo da minha lista de recomendações, mas também é um lugar muito bonito, bom para ir com calma e tirar muitas fotos.

Jardim Japonês - Buenos Aires - Argentina
Jardim Japonês

Também no Palermo encontram-se o Planetário, que estava fechado para reforma, e dois museus. O MALBA - Museu de Arte Latina de Buenos Aires - também estava fechado, então fomos para o Museu Nacional de Artes Decorativas. Suas milhares de peças ilustram várias das influências artísticas presentes na cidade, mas foi a construção em si que mais me encantou. O museu é localizado em uma antiga residência, e os cômodos possuem explicações de seu antigo uso, o que eu achei muito interessante e recomendo.

Recoleta

O Recoleta é conhecido pelo cemitério de mesmo nome. É um passeio que, para muitos, pode parecer estranho, mas eu queria conhecer o local desde que fiquei perdida em um cemitério de Belo Horizonte. A popularidade do local é explicada pelo túmulo de Evita Perón, mas esse é um daqueles cemitérios que mais parecem um museu a céu aberto, embora muitas de suas peças estejam descuidadas. Para quem se interessa por esse tipo de passeio menos usual, vale a pena.


Próximo ao cemitério encontra-se o Centro Cultural Recoleta que, entre outras coisas, abriga o Museu Interativo de Ciências. O museu era o número um das minhas prioridades, mas - adivinhem? - o centro estava em reforma, sem previsão de término. Uma grande decepção.

A dois quilômetros do cemitério, entre o Recoleta e o Centro, está outro dos prédios magníficos da cidade, o Palacio de las Aguas Corrientes. Por fora, parece um palácio, com sua arquitetura extravagante de influências diversas; por dentro, funcionava o prédio da companhia de água e saneamento da cidade. Hoje, encontra-se ali o que parece ser um museu do vaso sanitário que, a princípio, me decepcionou. Tudo mudou quando eu resolvi fazer a visita guiada, com a guia mais animada que já conheci e que conseguiu tornar interessantes aquelas peças de banheiros antigos com a história de Buenos Aires e do prédio em si. A visita guiada também permite ver a área onde ficavam os tanques, o que certamente fez brilharem os meus olhos de Garota de Exatas apaixonada por Física.

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Como se não bastasse o Palácio, a poucos quarteirões dali está localizada a incrível Librería El Ateneo e a aconchegante Librería Clasica y Moderna. A primeira é imensa e possui vários andares com milhares (milhões?) de livros. Um paraíso para leitores apaixonados e também para amantes das artes e arquitetura. Já a segunda é o oposto: Uma sala pequena, aos fundos de um restaurante, mas também muito bonita e carregada de história. Recomendo ambas.

Falando em livrarias, infelizmente, o preço dos livros no país é muito alto. Para quem não sabe, livro no Brasil é isento de impostos, então, mesmo que não pareça, os nossos preços acabam sendo baixos. Na Argentina, romances com cerca de 350 páginas custam o equivalente a oitenta reais. Assim, com as expectativas certas, a visita às livrarias vale a pena mais pelo lugar do que para comprar.


San Telmo

Para terminar, vamos ao boêmio San Telmo. Lá as ruas são mais estreitas, as construções são mais modestas e Mafalda é a estrela. Sim, foi ali que nasceu a garotinha atrevida dos cartoons que fazem sucesso na internet. Andando pelo bairro, você poderá encontrar não apenas a estátua dela, mas de vários outros personagens espalhados pelas ruas. Eu só pude conhecer duas (vide foto abaixo), mas vale a pena ir com mais tempo para encontrar todas.

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Outro ponto que eu adorei conhecer no bairro foi a Librería de Avila. Apaixonados por livros nunca se cansam. Esta é uma das livrarias mais antigas da cidade, a primeira que visitei e também foi onde desapeguei do valor e comprei um livro argentino para trazer de lembrança.

Próximo ao San Telmo, está o bairro de La Boca, que certamente seria o meu destino se eu tivesse um dia a mais na cidade. Passei por lá no ônibus do City Tour e pude ver alguns pontos turísticos. O mais famoso deles deve ser o La Bombonera, estádio do Boca Juniors. Não tive vontade alguma de parar ali, pois por fora o estádio é feio, apenas um prédio amarelo e azul em uma rua apertada. Eu não iria ao bairro apenas por isso, mas iria para conhecer o Caminito, rua museu a céu aberto que tive a oportunidade de ver pelo ônibus e muito me interessou, com todas as suas cores. É outro item que estará na minha lista de prioridades de uma próxima viagem.

Caminito - Buenos Aires - Argentina
Caminito

Como sempre, adorei falar sobre mais esta viagem e não vejo a hora da próxima. Espero que tenham gostado das dicas e, caso decidam visitar a cidade, que se divirtam muito! Se quiser conversar sobre o assunto, os comentários estão sempre abertos e vou adorar saber a sua opinião.

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