Eu li - Os livros do ano (I)


Eu sempre gostei de ler e sempre gostei de falar sobre livros. Houve uma época em que eu lia um livro em menos de uma semana e escrevia resenhas de todos eles no meu antigo blog. Infelizmente, esse tempo se foi. A quantidade de leituras diminuiu, mas mesmo assim, com o ritmo de um post por semana, seria impossível escrever sobre cada um deles individualmente. Para [tentar] compensar, vou escrever um pouco sobre eles em um post trimestral.


Eu li - Os livros do ano (I)

O presente do meu grande amor - Diversos autores


Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve, presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite, vai se apaixonar pelo livro. Nestas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa se você comemora o Natal, o Ano Novo, o Chanucá ou o solstício de inverno. Casais de formam, famílias se reencontram, seres mágicos surgem e desejos impossíveis se realizam. O pessimismo não tem lugar neste livro, afinal o Natal é época de esperança. 

Pelo seu tema, este deveria ter sido um livro de 2017, mas ele acabou virando o ano comigo. Nesta coletânea, doze autores trazem suas histórias de Natal em variados estilos. Algumas são sérias e tristes, outras são fofas e engraçadas, algumas são sobrenaturais (e chatas, como a maioria das histórias sobrenaturais).

Embora nem todas as histórias sejam interessantes, o livro ganha ponto por todas serem sobre pessoas quebradas, o que me chamou a atenção para alguns autores que eu não conhecia. Algumas histórias foram longas demais - particularmente, as três com clima sobrenatural/fantasia, porque eu realmente não gosto desse estilo. Outras, porém, poderiam ser mais bem desenvolvidas em um romance. Minha favorita foi a história 8, "Que diabo você fez, Sophie Roth", escrita por Gayle Forman.

Nota: 3/5

Sonata em Auschwitz - Luize Valente


Um bebê nascido nas barracas de Auschwitz-Birkenau, em setembro de 1944. Uma sonata composta por um jovem oficial alemão, na mesma data, também em Auschwitz. Duas histórias que se cruzam e se completam. Décadas depois, Amália, jovem portuguesa, começa a levantar o véu de um passado nazista da família a partir de uma partitura que lhe é revelada por sua bisavó alemã. A dúvida de que o avô, dado como morto antes do fim da Segunda Guerra, possa estar vivo no Rio de Janeiro, a leva a atravessar o oceano e a conhecer Adele e Enoch, judeus sobreviventes do Holocausto. A ascensão do nazismo na Alemanha, culminando na fatídica Noite dos Cristais, a saga dos judeus húngaros da Transilvânia, os guetos na Hungria e Romênia, os trens para Auschwitz, os mistérios acontecidos no campo de extermínio da Polônia e o pós-guerra numa casa cheia de segredos num lago de Potsdam oferecem os trilhos que Amália percorrerá para montar o quebra-cabeça.

Sonata em Auschwitz é um livro audacioso, pois trata-se de uma brasileira escrevendo sobre um campo de concentração na Polônia há mais de 70 anos. A história é narrada sob o ponto de vista de vários personagens, sendo as principais Amália e Adele. Amália é a portuguesa descendente de alemães que, instigada pela bisavó, vai atrás da história de sua família na Segunda Grande Guerra. Adele esteve lá, em Auschwitz.

Amália é chata. Uma dessas protagonistas típicas que agem como se fossem melhores que os outros e o mundo lhe devesse explicações. Felizmente, ela aparece menos do que eu esperava. Adele é a estrela do livro! Da adolescente judia que viu sua vida mudar drasticamente à senhora que reconstruiu sua vida no Brasil, acompanhamos a sua história tão intensa e aprendemos a apreciar sua força para sobreviver aos horrores do campo de concentração. É tudo tão horrível que eu não conseguia nem chorar, apenas sentia meu estômago se revirando. 

Nota: 3/5

A arte da imperfeição - Brené Brown


Este importante livro é sobre a jornada de uma vida, deixando de se preocupar com "O que os outros vão pensar?" e acreditando que "Eu sou suficiente". A habilidade ímpar da autora em misturar pesquisa original com relatos faz com que a leitura de A Arte da Imperfeição pareça uma longa e animadora conversa com uma amiga muito sábia que oferece compaixão, sabedoria e ótimos conselhos. A cada dia nos deparamos com uma enxurrada de imagens e mensagens da sociedade e da mídia nos dizendo quem, o que e como devemos ser. Somos levados a acreditar que, se pudéssemos ter um olhar perfeito e levar uma vida perfeita, já não nos sentiríamos inadequados. E se eu não posso manter todas essas bolas no ar? Por que não é todo mundo que trabalha duro e vive às minhas expectativas? O que as pessoas vão pensar se eu falhar ou desistir? Quando posso parar de provar a mim mesmo? Em A Arte da Imperfeição, Brené Brown, Ph.D, é uma especialista em vergonha, autenticidade e compartilha a coragem que aprendeu em uma década de pesquisas sobre o poder de viver sinceramente.

Conheci Brené Brown quando assisti à sua Ted Talk, O poder da vulnerabilidade, que já inspirou um post nos primeiros meses de vida do blog. Mais de dois anos depois, resolvi ler o livro que estava na minha estante há tempos e esperava algo na mesma linha, mas acabei me decepcionando. Os primeiros capítulos foram bons; depois, achei que ela começou a ficar repetitiva e utópica demais. Dá para tirar algumas lições, mas não vai mudar a sua vida.

Nota: 2/5

Uma dobra no tempo - Madeleine L'engle


“Uma linha reta não é a distância mais curta entre dois pontos.” Esta ideia está por trás da incrível história da família Murry. No livro, a autora Madeleine L’Engle proporciona uma verdadeira viagem, com dissolução e reconstituição de corpos no espaço, através de atalhos que fogem do longo caminho dos anos-luz, e dá lugar a uma passagem da quarta para a quinta dimensão, impensável no espaço tridimensional que conhecemos. 

Os Murry viviam a cerca de oito quilômetros da aldeia, isolados, em uma rua afastada. A geniosa Meg – a menina azarada e considerada má aluna na escola – e o pequeno Charles Wallace, rotulado como o “irmão bebê idiota”, compartilhavam o peso de serem crianças com um nível de intelectualidade acima do comum, o que causava certa dificuldade no relacionamento com as outras. Dennys e Sandy eram seus irmãos gêmeos, que não eram nem ruins, nem excelentes no colégio, mas eram fortes, bons corredores e se saíam bem nos jogos. Em um ambiente de cumplicidade, os irmãos e a mãe, uma bela cientista, conviviam bem, apesar das diferenças. Mas carregavam um vazio dentro de casa. O sr. Murry era um físico famoso e, desde que partiu para uma missão confidencial – e perigosa – do governo, não tiveram mais notícias dele. Quando, numa noite chuvosa, uma estranha figura apareceu rondando a casa dos Murry, Charles a identificou como a sra. Queé, que havia conhecido em uma velha casa de madeira, mal-assombrada, enquanto caminhava pelo bosque. O que ele não podia imaginar é que esta senhora, e duas amigas com as quais morava – a sra. Quem e a sra. Qual – se revelariam como peças-chave para desvendar tudo o que estava acontecendo com o pai. E também para salvá-lo. A partir daí, Charles, acompanhado de Meg e Calvin – novo e audacioso amigo – foi em busca de respostas e deu início a uma surpreendente experiência que os levaria ao desconhecido e infinito Universo, em dimensões até então incompreensíveis para a visão humana. 

Um dos melhores do ano até agora! Eu demorei a ler Uma Dobra no Tempo, porque pensei que o estilo predominante fosse fantasia e, como já disse, não é um estilo que me agrade. Mas, embora tenha, sim, um pouco de fantasia, a história acabou sendo mais uma mistura de ficção científica com ficção cristã, que são dois estilos que eu adoro (e leio menos do que gostaria).

Esta é uma aventura protagonizada por crianças e escrita para crianças, portanto, não espere longas explicações e mistérios muito elaborados. Espere usar a imaginação para enxergar os mundos criados pela autora, espere personagens cativantes e uma mensagem cristã mais explícita que em As Crônicas de Nárnia, enquanto Meg, Charles Wallace e Calvin lutam contra a escuridão que pode ter capturado o senhor Murry.

Caso alguém esteja achando o título do livro familiar, é porque ele foi adaptado para o cinema e a estreia no Brasil ocorrerá nesta quinta-feira. Já estou me programando para assistir e em breve venho contar o que achei.

Nota: 4/5

Thanks for the memories - Cecelia Ahern


How can you know someone you've never met? Joyce Conway leaves hospital after recovering from a terrible accident. Having faced a near-death experience, she is suddenly awakened to the stark reality of her futile marriage, and vows to start afresh -- separating from husband Conor and moving back in with her dad. Justin Hitchcock arrives in Dublin to give a guest lecture. Recently divorced and living near his daughter Bea, but far from his Chicago home, he's lonely and restless. When beautiful doctor Sarah persuades him to give blood, he nonchalantly accepts, hoping he'll at least get a date with her. Then one rainy evening, Joyce and Justin cross paths in the strangest of circumstances. They have no idea that their fates are more entangled than they could ever have imagined! 

Cecelia Ahern é uma das minhas autoras favoritas. Thanks for the memories foi um dos primeiros livros dela que eu comprei, mas foi o oitavo que li. Apesar de ter todos os elementos que tornam suas histórias tão encantadoras - um toque de mistério e fantasia, mas que não chega a ser chato, porque suas personagens quebradas trazem a história para perto da realidade - este acabou não me encantando tanto assim. Achei que a história demorou a se desenvolver, para acabar com um final corrido e os personagens não evoluíram tanto. Eu demorei a ler, o que é uma pena, porque a premissa é muito boa. Acho que eu teria gostado mais se tivesse lido na época em que comprei, antes de outros que estão entre meus favoritos, como A Vez da Minha Vida, A Lista ou Como Se Apaixonar.

Nota: 3/5.

O menino do pijama listrado - John Boyne


Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz idéia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

Até agora, o favorito do ano. Eu já tinha lido um livro do autor, Fique Onde Está e Então Corra, que amei. O Menino do Pijama Listrado, sua história mais famosa, tem o que parece ser a marca registrada do autor: O inocente ponto de vista de uma criança sobre um tema pesado, neste caso, a Segunda Guerra Mundial. Também passado em Auschwitz, esta é uma leitura curta e rápida, que parece leve até você perceber que não existe a menor possibilidade de um final feliz. Pelo contrário, o final foi pior do que eu imaginava e fiquei dias com aquilo na cabeça. É um desses livros que te dão um tapa na cara e te fazem pensar, com certeza recomendo a todos.

Nota: 4,5/5

Quatro para marcar - Janet Evanovich


Stephanie Plum está às voltas com um novo caso. Desta vez, a caçadora de recompensas de Trenton, Nova Jersey, precisa encontrar Maxime Nowicki, a garçonete acusada pelo roubo do carro do ex-namorado Eddie Kuntz. Mensagens criptografadas, pistas nos lugares mais inusitados, suspense na medida certa, cenas bem-humoradas e pitadas de romance dão o ritmo de Quatro para marcar. Aparentemente simples, o caso revela-se mais intrincado do que Stephanie imagina. Quanto mais vestígios reúne sobre o paradeiro de Maxime, mais Stephanie vê-se diante de uma história complicada, que se revela-se muito mais do que um simples ato de vingança contra um ex-namorado.

Este é o que estou lendo agora, quarto volume da série Stephanie Plum (que, como acabei de descobrir, já tem vinte e cinco livros). Este também é o último publicado no Brasil e, muito provavelmente, o meu último. É uma leitura despretensiosa, que mistura mistério e humor, mas que me divertiu mais quando li o primeiro, há alguns anos. Por outro lado, os mistérios vão ficando mais complicados à medida em que a Stephanie ganha experiência como caçadora de recompensas e este está me deixando bastante curiosa. Foi a escolha certa depois do quão perturbada O Menino do Pijama Listrado me deixou (e, mesmo assim, demorei alguns dias para conseguir começar). 

Já leu algum desses? Se sim, o que você achou?

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