Mamma Mia 2: Here we go again


No mês em que o brasileiro comemorou o Dia dos Pais, chegou aos cinemas por aqui a continuação do musical que conta a história de uma família nada tradicional, centrada na mãe, Donna Sheridan, ao redor da qual orbitam a filha Sophie e seus possíveis pais, Sam, Harry e Bill.

Mamma Mia divide opiniões por natureza. Para gostar do filme, você precisa gostar de musicais, mas não é só isso. Não é um musical que se compare com A Noviça Rebelde ou O Fantasma da Ópera. Você também precisa gostar de Abba e de toda a extravagância agridoce que o quarteto sueco representa. É colorido, é exagerado, é cafona e é maravilhoso.

Foi com a mentalidade de alguém que não entende muita coisa de cinema e que não leva o primeiro filme muito a sério que eu comprei o ingresso para ver o segundo logo nos primeiros dias de exibição.

Com duas timelines que se conectam em um momento crucial das vidas de Donna e Sophie, Mamma Mia 2: Here we go again serve, ao mesmo tempo, como sequência e "prequência" para o filme original.

Na timeline atual - ou o que deveria ser atual, mas falarei sobre isso daqui a pouco - Sophie tenta honrar a memória da mãe ao reabrir o hotel de Donna, mas passa por vários contratempos que vão desde a ausência de seu marido Sky a uma tempestade que destrói toda a decoração da festa. Essa parte, que conta com praticamente todo o elenco original e dois acréscimos de peso, tem um tom mais sério, mostrando uma Sophie mais madura e músicas com letras mais melancólicas. Mesmo tendo falecido há um ano, a presença de Donna ainda é muito marcante na vida da filha, das amigas e de Sam.

Infelizmente, essa parte também me pareceu menos desenvolvida. Olhando o copo meio cheio, isso significa que o Pierce Brosnan - que continua o mais charmoso dos três amores de Donna, mas, meu Deus, como canta mal! - não teve muitas oportunidades de soltar a voz, evitando que meus ouvidos saíssem gritando "SOS" pelo cinema. Por outro lado, também significa menos interação entre os personagens que aprendemos a amar quando o musical estreou há dez anos. Felizmente, Julie Walters e Christine Baranski estavam maravilhosas, roubando todas as cenas das mãos de Amanda Seyfried. Mesmo sem Donna, a dinâmica das duas "dínamos" continuou impecável. Enquanto a romântica Rosie de Walters nos representava ao ceder às lágrimas sempre que o nome da amiga era mencionado e declarar seu amor pelos carboidratos, Tanya, tão rainha quanto a sua intérprete e sempre com a língua afiada, ajudava a manter o astral em cima e os pés no chão com as melhores falas do filme (função brilhantemente replicada pela jovem Tanya de Jessica Keenan Wynn).

Em cena do filme Mamma Mia 2, Rosie (Julie Walters, à esquerda) e Tanya (Christine Baranski, à direita), conversam com Sophie (Amanda Seyfried, ao centro).

O melhor do filme, no entanto, estava na outra linha do tempo, onde acompanhamos a jovem Donna Sheridan desde o dia da sua formatura até descobrir-se grávida de sua única filha em uma ilha grega.

Donna é a estrela, uma rainha dançante, cantante, andante e cativante.

Lily James tinha uma tarefa muito difícil nas mãos: Interpretar a juventude de uma personagem que fora de ninguém menos que Meryl Streep. Mas a atriz britânica de 29 anos não fez apenas imitar sua antecessora, ela se transformou em Donna e a criou como se a personagem sempre tivesse sido sua e fosse Meryl que precisasse se moldar à sua criação. É um prazer assisti-la - e ouvi-la - enquanto a jovem Donna Sheridan conhece a ilha que se tornou sua casa e os três homens que se tornariam, na timeline presente, pais da filha que ela concebeu com um deles naquele verão.

E é aí que esse segundo filme se torna melhor que o primeiro. Apesar de todas as incoerências com o que foi contado pelo diário de Donna e mostrado nas fotografias que os três homens mostram a Sophie durante a sequência de Our Last Summer, Mamma Mia 2 tem uma história mais interessante. Se não tivesse, tudo bem - eu me sentaria no cinema por uma hora e meia apenas para desafiar a sinusite e cantar as canções de um grupo que acabou anos antes de eu nascer. Mas eu me sentei no cinema por uma hora e meia, desafiando a sinusite e cantando, porque eu queria saber a história daquela mulher forte de espírito livre, que deixou marcas tão profundas na vida da filha, das amigas e dos amores. E isso tudo de forma leve, em um filme bufão que foi feito para os fãs sem um pingo de vergonha de exagerar.

Em Mamma Mia 2, Donna e suas amigas, Rosie e Tanya, cantam e dançam em cima de um palco.

Falando em exagero, voltemos ao presente. No minuto em que Cher faz sua primeira aparição, fica claro que ela só está ali por ser a Cher. A personagem da mãe de Donna só existe para dar espaço a Cher. O personagem de Andy Garcia, que até então não parecia ter um propósito, só foi criado para a Cher poder cantar Fernando. Mas tudo bem. Seria ridículo se esse fosse um filme que se leva sério, mas é um musical baseado nas músicas do Abba, a banda sueca que nos faz perder o medo do ridículo que existe em cada um de nós. 

E é justamente por isso que dá pra relevar as inconsistências (embora meu lado nerd fique "ué..."). Em que outro mundo poderiam Cher (72 anos) e Andy Garcia (62) ter produzido Meryl Streep (69) em 1959? E como Sophie pode ter apenas 25 anos se ela nasceu em 1979/1980 e o filme nunca deu a entender que não se passa nos dias atuais? São erros tão fáceis de serem corrigidos, que só posso concluir que os roteiristas e produtores não se importaram com eles e esperavam que nós também não nos importássemos.

Deixando de lado o preciosismo (ou o senso crítico, chame como quiser), valeu a ida ao cinema e vai valer mais uma hora e meia do meu tempo quando o filme estiver disponível em alguma plataforma de streaming. Valeu eu ter ficado as últimas duas semanas com as mesmas músicas na cabeça. Valeram todas as piadas. Valeu ter gasto várias horas e demorado dias para terminar esse post, tendo entrado em um buraco sem fundo de vídeos, tanto das canções dos filmes quanto de suas versões originais, no youtube.
Eu sei que muita gente é contra sequências, mas pra mim, quanto mais melhor (afinal, eu não estou sendo obrigada a assistir). Assim, estarei lá se/quando lançarem "Mamma Mia 6: Here I go again, my my, how can I resist you?  Mamma mia, does it show again, my my, just how much I've missed you?"

E você, o que achou?


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